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Cerca de 500 presos talibãs fugiram

Arquivo Geral

25/04/2011 15h10

 

Cerca de 500 presos talibãs fugiram nesta segunda-feira da prisão de Kandahar, reduto dos insurgentes no sul do Afeganistão, através de um túnel de mais de 300 metros que foi escavado durante cinco meses, informaram diferentes fontes.

 

A fuga, a segunda em apenas três anos, foi confirmada em comunicado pelo escritório do governador de Kandahar, que calculou em 475 o número de fugitivos e acrescentou que as autoridades iniciaram um dispositivo de busca para localizá-los.

 

“Já capturamos 13 deles. Alguns tinham coletes explosivos. Na cadeia de Kandahar havia um total de mil prisioneiros”, disse à Agência Efe o porta-voz do governo de Kandahar, Zalmai Ayubi.

 

Um dirigente talibã afirmou que as tarefas de escavação começaram no exterior da prisão e que levaram cinco meses para chegar à seção política, à qual são enviados os talibãs no momento de sua detenção.

 

“Libertamos 541 talibãs presos nessa seção”, disse, por sua vez, através de comunicado o porta-voz insurgente Zabiullah Mujahid.

 

O documento acrescentou que os talibãs terminaram na noite de domingo sua tarefa e também mobilizaram um comando de “suicidas” ao redor da prisão para caso as forças afegãs descobrissem o plano de libertação e tentassem fazê-lo fracassar.

 

“A libertação começou às 23h de ontem à noite (horário local), e só três presos conheciam o plano. Foram despertando seus companheiros um a um. O último deles saiu às 3h30 da madrugada”, disse Mujahid na nota.

 

A fuga foi condenada pelo porta-voz do escritório presidencial afegão, Waheed Omar, que a qualificou como um “desastre” e admitiu que o Governo ainda está recolhendo dados para analisar o sucedido.

 

“Uma fuga desta magnitude revela uma vulnerabilidade. Não deveria ter ocorrido. Estamos analisando o sucedido e o que será feito para compensar o desastre”, disse Omar durante sua entrevista coletiva semanal em Cabul.

 

Esta é a segunda vez que ocorre uma fuga em massa na prisão de Kandahar. Em 2008, cerca de mil presos fugiram, depois que os talibãs arrebentaram as portas através da explosão de uma bomba localizada em um caminhão.

 

Kandahar, a segunda maior cidade do Afeganistão e capital da província homônima, é considerado o principal reduto espiritual dos insurgentes, que tentam derrubar o Governo afegão e implantar um Estado fundamentalista islâmico.

 

É também uma das sete regiões do país que devem ficar a cargo das forças afegãs a partir de julho, com o início dos planos de retirada das tropas internacionais mobilizadas no país.

 

Nos últimos meses, os insurgentes intensificaram seus ataques na província, e em 15 de abril mataram o chefe da Polícia, Khan Muhammad Mujahidd, em um ataque suicida.

 

O Afeganistão conta com a presença de cerca de 150 mil soldados estrangeiros, mas a violência aumentou nos últimos anos e os talibãs continuam cometendo ataques, como um na semana passada, em que um insurgente vestido de militar matou três pessoas no Ministério da Defesa.

 

 

 

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