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Cerca de 200 militares são julgados na Turquia por planejar golpe de Estado

Arquivo Geral

16/12/2010 10h34

O maior julgamento da Turquia contra membros do Exército foi iniciado nesta quinta-feira em Silivri, nos arredores de Istambul, com quase 200 militares acusados de ter arquitetado um golpe de Estado em 2003.

A primeira audiência foi aberta com a verificação das identidades de 192 membros do Exército, incluindo o antigo comandante da Força Aérea Ibrahim Firtina; o da Marinha Özden Örnek e o do Exército Çetin Dogan.

No julgamento serão lidas as acusações que pedem penas de prisão de até 20 anos para todos os suspeitos de tentar derrubar o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), pró-islâmico, do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.

A investigação e as prisões começaram em janeiro deste ano, depois que as autoridades judiciais de Istambul receberam uma mala cheia de documentos, CDs e DVDs que havia sido enviada ao jornal “Taraf” e revelou o plano de golpe de Estado chamado “Balyoz”.

Entre outras ações, o plano incluía promover atentados contra duas mesquitas em Istambul e derrubar um avião militar turco no Mar Egeu para forçar um confronto com a Grécia. Ambas as ações tinham a meta de desestabilizar o país e justificar a intervenção das Forças Armadas.

Firtina, Örnek e Dogan fizeram parte da cúpula militar entre 2003 e 2005, durante a primeira legislatura do AKP, quando supostamente o golpe de Estado deveria ter acontecido.

Os suspeitos e seus advogados negaram as acusações e disseram que não se tratava de um plano golpista, mas de “supostos cenários” apresentados em um seminário de combate ao terrorismo.

Os militares também alegam que muitos dos documentos apresentados como provas são falsos e denunciam que foram baseados em escutas ilegais.

As Forças Armadas, autoproclamadas defensoras do laicismo e da integridade territorial, derrubaram quatro Governos nos últimos 50 anos (1960, 1971, 1980 e 1997).

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