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Capitão de navio que naufragou na Itália não é "covarde", diz advogado

Arquivo Geral

18/01/2012 14h43

O advogado do capitão do cruzeiro naufragado na Itália na sexta-feira, Francesco Schettino, disse nesta quarta-feira (18) que o acusado de abandonar o navio antes de completar a retirada dos passageiros não lhe deu a impressão de ser “nem covarde nem criminoso”.

 

 

Bruno Leporatti compareceu em entrevista coletiva na localidade de Grosseto (centro da Itália) para defender Schettino perante a opinião pública. A juíza encarregada do caso decidiu na terça-feira tirá-lo da prisão e colocá-lo em prisão domiciliar.

 

 

“Encontrei uma pessoa afetada, que não me deu a impressão nem de ser covarde nem criminoso. O capitão Schettino me pareceu, no entanto, muito afetado pelo drama humano deste assunto”, comentou Leporatti.

 

 

Ele acrescentou que “o capitão está alterado e miserável pelo que ocorreu, profundamente comovido não tanto pela perda do navio, que para um comandante da marinha é gravíssimo, mas pelas perdas de vidas humanas”, que, até o momento são calculadas em 11.

 

 

O advogado explicou que Schettino, pelo menos até a noite de terça-feira, não tinha recebido carta alguma da empresa responsável pela embarcação, Costa Cruzeiros, que lhe suspendesse de toda atividade na companhia.

 

 

Ele ressaltou que o juiz de um eventual processo é quem terá que decidir se o capitão é responsável pelos delitos dos quais é acusado: homicídio múltiplo, abandono do navio e naufrágio.

 

 

Leporatti afirmou que “não há dúvidas” de que Schettino realizou uma manobra equivocada à frente do cruzeiro “Costa Concordia” e indicou que até estudar todo o sumário da investigação, com as transcrições das conversas telefônicas e os interrogatórios, não poderá dizer se ele mentiu à Capitania dos Portos sobre a gravidade do naufrágio.

 

 

Em outro comparecimento perante a imprensa nesta quarta-feira, o promotor-chefe de Grosseto, Francesco Verusio, anunciou que tem a intenção de recorrer da decisão da juíza de instrução Valeria Montesarchio de ditar prisão domiciliar para o capitão, no lugar de prisão preventiva como tinham solicitado.

 

 

Verusio afirmou que “é possível que (Schettino) possa fugir” e que “por sua personalidade e pelos delitos que atribuem a ele” não querem que se livre de suas responsabilidades perante o naufrágio do cruzeiro, que deixa mais de 20 desaparecidos.

 

 

Em declarações a uma emissora de rádio, o promotor de Grosseto definiu Schettino como um homem “mau”: “Mau na manobra, no abandono do navio, ao não ter dirigido as operações de resgate, ao não ter dado nenhuma ordem. Acho que seu comportamento foi inqualificável e imperdoável”.

 

 

“Até admitindo que tivesse caído no bote salva-vidas, podia também ter voltado ao navio como capitão não? Há algum outro que voltou”, comentou Verusio.

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