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Mundo

Calor e seca fazem incêndios florestais avançarem na Europa

Temperaturas entre quatro e cinco graus Celsius acima da média em junho deixaram grandes áreas mais suscetíveis ao fogo

Redação Jornal de Brasília

29/07/2026 11h30

Foto: Ludovic MARIN / AFP

Foto: Ludovic MARIN / AFP

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

Incêndios florestais na Europa se intensificam com calor extremo, seca prolongada e vegetação ressecada na França e na Espanha. Análise publicada pelo The Conversation aponta que as chamas já superam padrões históricos na região.

Temperaturas entre quatro e cinco graus Celsius acima da média em junho deixaram grandes áreas mais suscetíveis ao fogo. Solo seco e vegetação sem umidade facilitam a propagação rápida das chamas após o início de um incêndio.

França já registra uma área queimada 40% maior do que a do recorde anterior. Três dos 15 maiores incêndios desde o início do monitoramento da União Europeia, há 20 anos, ocorreram no último mês.

Satélites da Nasa mediram na França, em julho, uma liberação de energia pelos incêndios duas vezes maior que o recorde anterior. Pela primeira vez desde o início dos registros no país, formou-se sobre as chamas uma nuvem de tempestade de fogo, chamada pirocumulonimbus, que agravou os incêndios.

POR QUE O COMBATE É MAIS DIFÍCIL

Incêndios de grande intensidade ameaçam cidades como Bordeaux, na França, e Madri, na Espanha, e levam autoridades a ordenar evacuações em massa. A medida protege moradores, mas imóveis podem ficar sem defesa diante do avanço do fogo.

Focos podem começar por causas diversas, como cigarros descartados, raios, falhas em veículos ou ação deliberada. Áreas densamente povoadas são fontes frequentes de ignição, e não é possível eliminar totalmente o risco quando as condições favorecem incêndios intensos.

Fumaça de incêndios expõe milhões de pessoas a poluentes prejudiciais e pode aumentar atendimentos por problemas respiratórios e cardiovasculares. Um bombeiro espanhol resumiu a dificuldade do combate à agência Associated Press: “O fogo é tão violento e tem tanto poder que, não importa o que você faça, não consegue apagá-lo.”

O PAPEL DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Pesquisadores da Universidade da Tasmânia haviam previsto a piora dos incêndios na Península Ibérica e no Mediterrâneo francês com o aquecimento global. As chamas intensas na costa atlântica mais úmida da França, perto de Bordeaux, porém, superaram as previsões dos autores.
Incêndios liberam carbono da vegetação queimada e elevam as emissões de gases de efeito estufa.

Florestas, que armazenam carbono, passam em alguns locais a emitir mais do que absorvem.

Medidas como queimadas controladas, redução da vegetação combustível e criação de faixas verdes podem diminuir riscos futuros. Os autores afirmam que nenhum país resolveu o desafio de responder a incêndios agravados pelas mudanças climáticas.

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