O presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, apoiou hoje a resposta da Comissão Europeia (CE) diante da expulsão de ciganos na França, mas chamou às partes a reduzirem a “tensão” e evitar uma “retórica inflamatória”.
Buzek participou nesta quinta-feira da sessão inicial da reunião de chefes de Estado e de Governo da União Europeia realizado em Bruxelas, marcada em boa parte pela polêmica suscitada entre o Executivo comunitário e Paris.
“A Comissão é a guardiã da legislação e dos tratados. Iniciou um procedimento (contra a França) e essa é a melhor solução”, opinou o presidente da Eurocâmara, instituição que na semana passada aprovou uma resolução impulsionada pela centro-esquerda exigindo das autoridades francesas a suspensão imediata das expulsões.
Buzek – membro do Partido Popular Europeu (PPE), ao qual também pertence o presidente francês, Nicolas Sarkozy – evitou hoje repetir esse chamado, mas ressaltou que Bruxelas está em seu direito de intervir para garantir o respeito às normas comunitárias sobre livre circulação e contra a discriminação.
O ex-primeiro-ministro polonês insistiu na necessidade de abordar a situação dos ciganos e de outras minorias como um problema comum para toda a União Europeia.
“Este não é só um problema dos ciganos e não é um problema único da França ou de outros países. É um problema muito sério e profundo para o conjunto da UE e devemos enfrentá-lo dessa forma”, assinalou em entrevista coletiva.
Neste sentido, defendeu que o caso dos ciganos romenos e búlgaros e de outras minorias de nacionalidade europeia deveria “conectar-se” com o de grupos procedentes de países extracomunitários.
“Os cidadãos não distinguem entre ciganos, poloneses vivendo em minoria na Irlanda, turcos vivendo na Alemanha ou alguém da Argélia que está na França”, explicou.
Lembrou que em tempos de crise econômica como os atuais ocorre de este tipo de tensões acabe ganhando destaque.
Questionado sobre o cruzamento de declarações entre a comissária europeia de Justiça, Viviane Reding, e o Governo francês, Buzek ressaltou a necessidade de “trabalhar para reduzir as tensões” e evitar episódios de “retórica inflamada”.
Apesar das acusações entre Paris e Bruxelas, o presidente do PE garantiu que a “boa atmosfera” do encontro desta quinta-feira não está ameaçada.