O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou hoje que o Brasil fornecerá ajuda de US$ 172 milhões para financiar a reconstrução e o desenvolvimento do Haiti, devastado pelo grande terremoto de 12 de janeiro.
“Ajudar o Haiti vai além de qualquer luta política, religiosa e ideológica. É um desafio para que a comunidade internacional demonstre sua vontade e capacidade de se unir em favor de uma causa justa”, disse Amorim na conferência internacional de doadores em prol do Haiti, realizada hoje na sede da ONU, em Nova York.
O chanceler afirmou que a nova doação inclui uma verba de US$ 40 milhões dentro do programa de assistência do Brasil e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), além de US$ 15 milhões para aliviar o déficit fiscal do Governo haitiano.
Além disso, ele ressaltou que o novo compromisso financeiro brasileiro se soma aos US$ 167 milhões desembolsados até o momento pelo Brasil para assistência humanitária às vítimas do terremoto haitiano.
“O Brasil confia na capacidade do Haiti de superar os desafios que enfrenta e assumir o pleno controle de seu destino”, ressaltou Amorim, que copreside o encontro junto à ONU e às delegações de Estados Unidos, Espanha, Canadá, França e União Europeia (UE).
Amorim também lembrou que dois meses e meio depois do terremoto ainda há 1 milhão de pessoas sem lar e centenas de milhares esperam “aterrorizadas” a chegada das chuvas em frágeis acampamentos improvisados.
“Mas nossa principal meta deve ser apoiar os haitianos a criar as condições necessárias para sustentar um desenvolvimento a longo prazo, que garanta a justiça social, a estabilidade política e os direitos humanos”, destacou Amorim.
Segundo ele, o compromisso econômico brasileiro conta não apenas com o apoio do Estado mas também com o da sociedade brasileira como um todo. “Não consigo me lembrar de outra ocasião na qual tenha sentido tanta compaixão com outro país”, disse.
O chanceler assinalou que a comunidade internacional tem a oportunidade de “tornar realidade” a promessa de emancipação, liberdade e igualdade que impulsionaram os haitianos na independência do Haiti em 1804. Foram eles os primeiros ex-escravos na América a conseguir a independência de uma potência colonial.