O governo da Bolívia informou nesta sexta-feira que reforçou a segurança no povoado de San Matías, fronteira com o Brasil, onde esta semana uma multidão linchou até a morte dois brasileiros acusados de assassinar três bolivianos. O ministro da Defesa, Rubén Saavedra, informou que 27 militares foram enviados ao povoado, ao mesmo tempo que a polícia anunciou a duplicação do número dos agentes, chegando a 20, para aumentar a segurança e começar as investigações sobre os cinco crimes.
Os militares patrulharão a fronteira e seu número pode aumentar ainda mais, já que o governo boliviano está preocupado com a entrada de brasileiros com “antecedentes criminais” no país, afirmou Saavedra. Os brasileiros foram queimados vivos na terça-feira por uma multidão que os arrancou à força da cela onde estavam detidos pela suspeita de serem os autores do assassinato a tiros dos três bolivianos.
Agentes da polícia fronteiriça e legista do Brasil foram a San Matías na quinta-feira para exumar os corpos e repatriá-los. Autoridades brasileiras pediram ao governo da Bolívia que investigue e puna os responsáveis pelo linchamento dos brasileiros que estavam sob custódia oficial. A polícia de San Matías alegou que foi dominada por um grupo de 400 pessoas que exigiu fazer o que chamam de “justiça comunitária” contra quem assassinou os bolivianos na segunda-feira.
A “justiça comunitária” está garantida pela Constituição promulgada pelo governo de Evo Morales em 2009 que na época esclareceu que o linchamento não faz parte desse sistema, embora os grupos indígenas que o aplicam se justifiquem dessa forma. Os oficiais de San Matías denunciam que sofrem ameaças de morte exigindo que o linchamento não seja investigado, tanto que o promotor de San Matías, David Veizaga, teria renunciado porque “está muito afetado e nervoso”, informou seu chefe, o promotor de Santa Cruz, Isabelino Gómez.
Gómez pediu às autoridades para vigiar o povoado de San Matías, onde vivem cerca de 12 mil pessoas, das quais 70% são bolivianas e o restante brasileiras – a maioria imigrantes ilegais. Em várias regiões ao longo da fronteira de mais de 3 mil quilômetros entre os dois países há violência pela ação dos narcotraficantes e do comércio de automóveis roubados.