Os bispos italianos colaborarão “lealmente” com as autoridades civis nos casos de padres pedófilos, afirmou hoje a Conferência Episcopal Italiana (CEI) em um documento.
“(Os bispos) não se opõem, mas estão de acordo, em leal colaboração com as autoridades do Estado, ao qual compete verificar a consistência dos fatos denunciados”, afirmaram os bispos no comunicado.
Na nota, referente ao tratado no Conselho Permanente da CEI celebrado de 22 a 25 de março, os padres disseram que o rigor e a transparência na aplicação das normas canônicas são o caminho essencial “para se chegar à verdade”.
Os bispos italianos expressaram “consternação, sentimento de traição e remorso” pelos inúmeros casos de abusos sexuais de menores por parte de eclesiásticos e reiteraram solidariedade com as vítimas e suas famílias, “ofendidas pela própria Igreja”.
O grupo de bispos, liderado pelo cardeal arcebispo de Gênova, Angelo Bagnasco, reconheceu a necessidade de uma “cuidadosa” seleção dos candidatos ao sacerdócio, “avaliando a maturidade humana e afetiva, espiritual e pastoral”.
Eles destacaram o valor do celibato, que, segundo eles, não constitui um “impedimento nem um menosprezo da sexualidade, mas representa uma forma alternativa e humanamente enriquecedora de viver a vida em uma radical entrega a Cristo e à Igreja”.
Além disso, os bispos italianos expressaram “total e afetuosa” solidariedade com o papa Bento XVI “por seu cristalino testemunho” de fé.
Durante a assembleia, o cardeal Bagnasco disse que a Igreja não deve ter medo da verdade e deve denunciar em vez de encobrir os casos de padres pedófilos.