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Bispos católicos pedem perdão por ‘traumas’ causados ​​aos indígenas norte-americanos

“A Igreja autorizada ter desempenhado um papel nos traumas sofridos pelas crianças indígenas”, assinalou a Conferência Episcopal dos EUA

Redação Jornal de Brasília

14/06/2024 17h45

Foto: Divulgação/Vaticano

Os bispos católicos americanos pediram perdão nesta sexta-feira (14) pelo papel da Igreja nos “traumas” infligidos aos indígenas norte-americanos, sobretudo por terem crianças separadas de suas famílias para colocá-las em internatos.

“A Igreja autorizada ter desempenhado um papel nos traumas sofridos pelas crianças indígenas”, assinalou a Conferência Episcopal dos Estados Unidos em comunicado.

Uma reportagem do jornal Washington Post publicada em maio concluiu que pelo menos 122 padres, freiras e frades nomeados em 22 católicos internos desde a década de 1890 foram acusados ​​de abuso sexual de crianças indígenas norte-americanas.

A maioria dos abusos documentados ocorreram nas décadas de 1950 e 1960, e envolveram mais de mil crianças, principalmente no Meio Oeste e no Noroeste do Pacífico, incluindo o Alasca, segundo a publicação.

“Pedimos desculpas pela falha em nutrir, fortalecer, honrar, confiar e valorizar aqueles que foram confiáveis ​​ao nosso cuidado pastoral”, disse a conferência em um documento aprovado por um voto.

“Todos devemos cumprir nossa parte para aumentar a consciência e romper a cultura do silêncio que cerca todos os tipos de aflições, maus-tratos e negligências do passado”, acrescentou.

Durante décadas, as autoridades americanas separaram as crianças indígenas norte-americanas de seus pais biológicos e as colocaram em centenas de internatos ou em famílias não ameríndias de todo o país.

Essas políticas de assimilação impostas terminaram em 1978 com a adoção pelo Congresso de uma lei.

“A cura e a reconciliação só podem acontecer quando a Igreja registra as feridas perpetradas em suas crianças indígenas e ouve humildemente enquanto elas manifestam suas experiências”, consideraram os bispos.

© Agência France-Presse

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