A presidente da Argentina, ambulance Cristina Fernández de Kirchner, troche recebeu hoje a fraco-colombiana e ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt, que agradeceu a governante por suas “corajosas” ações a favor de sua libertação e da de todos os seqüestrados pela guerrilha colombiana.
Betancourt, que permaneceu seis anos em poder das Farc, chegou hoje à Argentina, no âmbito de uma viagem que começou pelo Equador e ainda a levará a Chile, Brasil, Peru, Bolívia e Venezuela.
“O que (Cristina) fez não foi por protocolo ou porque era politicamente correto. É claro que na Argentina, mais do que em outro país, entende-se o que os colombianos sofrem. Há uma dor compartilhada”, disse a ex-refém na entrevista coletiva que concedeu após seu encontro com a presidente argentina.
Ao deixar o escritório de Cristina, a colombiana esbarrou com a cantora Madonna, que está em Buenos Aires para uma série de shows e que cumprimentou a franco-colombiana antes de seu encontro com a chefe de Estado da Argentina.
A ex-refém das Farc disse que a reunião com Cristina, que começou com um forte abraço entre as duas, foi “de muito sentimento e emoção”.
“Devo muito ao povo argentino, ao ex-presidente (Néstor) Kirchner e à sua esposa (Cristina Fernández)”, disse Betancourt, que disse que, no cativeiro, ouvia pelo rádio a voz da atual governante argentina.
Betancourt também agradeceu Cristina por ter recebido sua mãe, Yolanda Pulecio, e destacou a participação da presidente na marcha pela libertação dos reféns das Farc realizada em Paris no mês de abril.
“É um compromisso pessoal que me emociona e ao qual agradeço. Foi muito mais do que um gesto de apoio”, disse a franco-colombiana.
Não por acaso, Cristina foi uma das políticas sul-americanas mais engajadas no caso de Ingrid Betancourt, por cuja libertação chegou a pedir em seu primeiro discurso como presidente empossada, em 10 de dezembro de 2007.
“Por isso, tenho um imenso carinho por esta mulher corajosa, que colocou a questão colombiana à frente de todos os presidentes latino-americanos”, afirmou Betancourt.
Em mensagem aos que ainda permanecem em poder das Farc, a ex-candidata presidencial disse que eles têm em Cristina uma “madrinha”, “uma mulher que vai continuar lutando pelos seqüestrados”.
“A Argentina nos adotou e o continente americano vai se movimentar por cada um de vocês. Esse amor irá tirá-los daí”, declarou aos reféns, aos quais desejou um “feliz Natal”.
Betancourt também agradeceu várias vezes os esforços do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), marido de Cristina, e que, no fim de 2007, liderou uma fracassada missão diplomática coordenada pela Cruz Vermelha Internacional para resgatar a franco-colombiana e mais um grupo de seqüestrados pela guerrilha.
“Esse foi um ato muito generoso e valente da parte do ex-presidente. Sinto um imenso amor pela Argentina personalizado em Néstor e Cristina Kirchner”, afirmou Betancourt.
A ex-refém disse que desde sua libertação tem “uma vida de felicidade” e que “a cada dia” vive “um maravilhoso milagre”.
Além disso, declarou que, nestes cinco meses que se passaram desde a sua libertação, recuperou sua saúde e tomou consciência de sua “fragilidade emocional”.
Na entrevista, Betancourt também revelou que falar do passado é algo que lhe “dói muito” e que no ano que vem vai se isolar por seis meses para escrever um livro.
A ex-candidata à Presidência da Colômbia disse ainda que o mundo “está melhor” desde que Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, que a “América Latina vai surpreender neste século” e que enxerga pela frente um “mundo marcado pela espiritualidade, e não pelo materialismo”.
“Eu gostaria de ver meu país como a Argentina. Estou orgulhosa da democracia que vocês conseguiram salvar”, acrescentou.
Com a viagem que iniciou, Betancourt pretende agradacer os governantes da região pela contribuição que deram para sua libertação, ocorrida em julho, para criar uma “consciência internacional” sobre a necessidade de a Colômbia fechar um acordo humanitário com os guerrilheiros.