O ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou nesta sexta-feira (20) que não descarta ser chamado para voltar ao Governo do país depois que, segundo ele, o tratamento para os problemas, feito pelo Executivo de Mario Monti, não tenha dado “nenhum fruto”.
Ao término de uma nova audiência do caso Mills no Tribunal de Milão, no qual é julgado por suposta corrupção em ato judicial, Berlusconi afirmou que ele continua a serviço do país.
“Decidimos dar passagem a um Governo tecnocrata já que havia um ataque obsessivo ao nosso Governo, e em particular, ao seu presidente, a quem se jogava toda a culpa do aumento do prêmio de risco e da crise das bolsas”, comentou o ex-primeiro-ministro, em declarações à televisão.
Berlusconi afirmou que se por enquanto não existe uma solução alternativa ao Governo de Monti – que chegou ao poder em meados de novembro após sua renúncia -, a Itália terá que seguir adiante dessa forma, dado que a verdadeira solução aos problemas não está dentro do país.
O ex-primeiro-ministro da Itália acredita que o principal é convencer a Alemanha para que haja um Banco Central Europeu (BCE) capaz de defender o euro e que seja possível criar os chamados eurobonos.
“Nos encontramos perante uma situação muito difícil, que não depende da Itália. Eu tinha feito há tempos um diagnóstico claro da situação. É o euro que se encontra em uma situação anômala, porque não tem um Governo detrás e um Banco Central que garanta a moeda como faz o Federal Reserve americano”, disse Berlusconi. “É a Europa que está em crise. A China em quatro anos consegue pôr no terreno uma força de trabalho equivalente às quatro grandes potências econômicas europeias”, acrescentou.
Sobre o caso Mills, que julga um suposto pagamento por parte de Berlusconi a um advogado em troca que ele mentisse a seu favor em dois julgamentos, o ex-primeiro-ministro disse que qualquer eventual sentença não terá efeito.
O suposto delito de Berlusconi no caso Mills, que realizará sua próxima audiência dia 25 de janeiro, pode prescrever em 14 de fevereiro se a sentença não sair antes, por isso que compactaram as últimas audiências e espera-se que no dia 11 de fevereiro os juízes possam se pronunciar.