Uma frase do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, na qual afirma que sente “pena” do líder líbio, Muammar Kadafi, gerou nesta terça-feira uma forte polêmica e duras críticas da oposição.
O líder da oposição, Pierluigi Bersani, disse que as palavras de Berlusconi revelam uma “indecorosa nostalgia” que “desacredita” o Executivo da Itália perante o mundo.
“Tenho pena de Kadafi e sinto muito. O que está ocorrendo na Líbia me afeta pessoalmente”, afirmou Berlusconi em Turim durante uma reunião de seu partido, o Povo da Liberdade (PDL).
A frase gerou críticas da oposição italiana, que usou palavras muito duras para qualificar a “compreensão” do governante sobre o ditador líbio.
“Trata-se de uma indecorosa nostalgia que acrescenta mais confusão e descrédito à posição do Governo italiano e que é incompreensível aos olhos da Europa e do mundo”, afirmou Bersani, líder do Partido Democrata (PD).
Pier Ferdinando Casini, líder do partido democrata-cristão UDC, disse que Berlusconi deve assumir uma linha clara, “já que não é aceitável dizer que sente pena de Kadafi”.
“Nós não nos preocupamos com a destino do ditador, nos preocupamos com os milhares de mulheres e homens líbios assassinados por Kadafi e suas tropas. Entre o carrasco e as vítimas não temos a menor dúvida de com quem estamos”, ressaltou Casini.
A Itália colocou à disposição da coalizão internacional sete bases militares e oito caças-bombardeiros para fazer cumprir a resolução da ONU sobre a Líbia.
Berlusconi assegurou que os aviões “não atirarão” contra a Líbia, já que o único objetivo será ajudar a manter a zona de exclusão aérea sobre o país norte-africano.
Seu aliado no Governo, o partido Liga Norte, vê com receio a presença italiana na coalizão internacional e disse que apoiará a participação sempre que for para garantir o bloqueio dos fluxos migratórios do norte da África ao litoral italiano, e Berlusconi se comprometer a proteger os acordos energéticos com a Líbia.
A Itália assinou com a Líbia em 2008 um Tratado de Amizade, Associação e Cooperação. Até pouco tempo, Berlusconi e Kadafi mantinham uma cordial relação, e nos últimos anos o líder líbio viajou em duas ocasiões a Roma.
Os acordos entre os países propiciaram negócios bilaterais por um valor de mais de US$ 40 bilhões anuais.
O Governo italiano também mantinha com a Líbia acordos militares para que país africano se comprometesse a impedir a saída de imigrantes para a Itália.