O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse hoje, em Gaza, que o bloqueio israelense sobre a faixa palestina, que já dura mais de quatro anos e impede a entrada de artigos básicos e materiais de construção, é “inútil e inaceitável”.
“O bloqueio imposto (por Israel) na Faixa de Gaza é inútil e inaceitável”, afirmou o sul-coreano em entrevista coletiva concedida em Khan Yunes, no sul de Gaza.
Ban, que chegou esta manhã ao território, insistiu que o cerco israelense “aumenta o sofrimento e torna dura a vida da população” palestina, de 1,5 milhão de pessoas.
“A continuidade desta política está debilitando os moderados e encorajando os extremistas. Ela também impulsiona o contrabando e o comércio ilegal”, acrescentou Ban no último de seus dois dias de viagem por Israel e pelos territórios palestinos ocupados.
O secretário-geral da ONU confessou que é “frustrante” ver toda a “destruição” causada pela ofensiva militar lançada por Israel entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, quando 1.400 palestinos morreram, e constatar “que a reconstrução não é possível”.
“Condeno todas as ações militares que levam à morte de israelenses e palestinos. Os conflitos só podem ser solucionados através de negociações”, afirmou.
O sul-coreano também anunciou que as autoridades israelenses deram um “passo positivo”, mas “insuficiente”, ao aprovar um “projeto humanitário” da ONU que prevê a construção, em Khan Yunes, de 150 casas e um moinho de farinha, entre outras instalações.
Escoltado por veículos da ONU, Ban começou seu breve visita a Gaza pelo bairro de Izbet Abed Rabbo, onde algumas casas continuam destruídas devido ao bloqueio israelense, que impede a entrada de materiais de construção na região.
Pela manhã, Ban se reuniu com representantes de diferentes agências das Nações Unidas e fez visitas a projetos humanitários.
Na agenda do diplomata, não está prevista nenhuma reunião com representantes do Hamas, que controla a Faixa de Gaza.
Ainda neste domingo, Ban voltará a Jerusalém para se reunir com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak; com vice-ministro das Reções Exteriores, Dany Ayalon, e com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.