Cientistas franceses descobriram que os mosquitos Anopheles eliminam parte do sangue succionado de suas vítimas junto com a urina, isso somente para reduzir sua temperatura, um fato que pode trazer uma nova pista na luta contra a malária.
Realizado pelo Centro Nacional francês de Pesquisa Científica (CNRS), o experimento com mosquitos Anopheles, cuja picada é responsável pela transmissão da malária, descobriu uma estratégia termorreguladora tida como “surpreendente” pelos cientistas.
Segundo o CNRS, a temperatura corporal dos mosquitos depende da temperatura ambiente. Cada vez que os mosquitos se alimentam com o sangue de mamíferos eles se submetem a um forte choque térmico devido à entrada de um fluxo mais quente em seu corpo.
Para resistir a essa diferença, como revelou o estudo, o mosquito expele “rapidamente” pela via anal uma pequena gota de urina misturada com sangue, que, ao entrar em contato com o ar, se evapora e esfria, permitindo que sua temperatura seja reduzida.
Essa capacidade para evitar seu aquecimento corporal, segundo os cientistas, garante aos mosquitos a proteção não só de sua integridade física, mas também de toda sua flora simbiótica e, eventualmente, a dos parasitas que transmitem.
Se essa eliminação da urina não fosse possível em um prazo tão curto de tempo, como acrescenta o CNRS, o balanço hídrico desses insetos iria se alterar, assim como sua capacidade de limitar as mudanças em sua temperatura corporal.
O experimento, efetuado com a ajuda de uma câmara termográfica infravermelha, será completado com novas análises para determinar, segundo os cientistas, se é possível explodir essa “perturbação fisiológica” no controle da transmissão do “plasmodium”, o parasita responsável pelo contágio da malária.