DANIELA ARCANJO
FOLHAPRESS
Encaminhado o acordo com a União Europeia, em vigor desde maio, o Mercosul agora se volta para o mercado asiático, e o início das negociações com o Japão, anunciado oficialmente nesta terça-feira (30), é o principal carro-chefe dessa tendência.
Para Santiago Peña, anfitrião da cúpula do Mercosul que ocorre nesta semana no Paraguai e presidente temporário do bloco, a possível parceria com o país asiátivo é “um passo histórico que abre as portas para uma das economias mais fortes do mundo”.
“Os japoneses são bons amigos e um dos melhores aliados que podemos ter em nosso bloco”, afirmou o paraguaio no discurso de abertura da reunião dos líderes. Estão presentes também Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador), além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o segundo a falar.
“Nesta Cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta”, afirmou o petista.
O acordo foi divulgado neste mês após após uma reunião entre Lula e primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, às margens da cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. No entanto, o anúncio oficial, ao menos para o Mercosul, foi guardado para a reunião no Paraguai.
O bloco terá a primeira rodada de um acordo de preferências tarifárias com o Vietnã e tenta aprofundar um acordo, atualmente visto como muito restrito, com a Índia. Há ainda um tratado de livre comércio em fase final com os Emirados Árabes Unidos.
Recentemente, entrou em vigor o acordo de livre comércio entre Mercosul e Singapura, assinado em 2023 no Rio de Janeiro. Diante desse cenário, há a expectativa de que a negociação com a Coreia do Sul seja retomada após cinco anos paralisada em fevereiro, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, afirmou que pretendia resgatar as conversas após reunião bilateral com Lula em Seul.
Fora da Ásia, o Reino Unido manifestou interesse em firmar uma parceria comercial com o Mercosul, segundo o Itamaraty afirmou na semana passada. A ideia é que as negociações não comecem do zero, já que Londres participou das conversas do acordo do bloco sul americano com o europeu até sair da UE, em 2020. Há ainda a fase final de um acordo de livre comércio com o Canadá.
Apesar dos diversos anúncios, a entrada em vigor dos acordos citados pode demorar anos. No caso do bloco europeu, as negociações demoraram 26 anos.
Após União Europeia, Mercosul se volta para Ásia com início de negociações com Japão
“Os japoneses são bons amigos e um dos melhores aliados que podemos ter em nosso bloco”, afirmou Santiago Peña, anfitrião da cúpula do Mercosul
68ª Cúpula do Mercosul em Assunção, Paraguai. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert/PR