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Mundo

Após 80 dias de greve de fome Fariñas está "pessimista" sobre libertações

Arquivo Geral

14/05/2010 18h27

O dissidente cubano Guillermo Fariñas disse hoje estar “pessimista” sobre as possibilidades de que o Governo de Raúl Castro liberte os presos políticos doentes, no dia em que completa 80 dias em greve de fome.

O psicólogo e jornalista independente insistiu em pedir ao Governo que liberte esse presos em “um gesto humanitário”, segundo disse à Agência Efe em uma conversa telefônica do hospital onde se encontra internado na cidade de Santa Clara, 276 quilômetros ao leste de Havana.

“O Governo não vai perder poder nem o partido (comunista, o único da ilha) hegemonia por pôr em liberdade estes irmãos”, disse Fariñas.

Mas “prefiro seguir sendo pessimista”, disse o opositor sobre a possibilidade de libertações por ocasião da próxima visita à ilha do “chanceler” do Vaticano, Dominique Mamberti.

No domingo passado, as Damas de Branco expressaram sua esperança de que a visita de Mamberti em junho durante a Semana Social da Igreja cubana ajude algumas libertações como ocorreu após a viagem do papa João Paulo II à ilha em janeiro de 1998.

Precisamente, a mediação do arcebispo de Havana, o cardeal Jaime Ortega, permitiu a volta das passeatas dominicais das Damas de Branco – que pedem a liberdade de seus familiares presos na Primavera Negra de 2003 – após semanas de atos de repressão contra o grupo por parte de seguidores do Governo.

Fariñas comentou à Efe que dias depois desse “gesto” – que ele mesmo qualificou como “encorajador” na época – recebeu a visita de dois religiosos, representantes da Igreja, para falar com ele sobre as possibilidades de mediação perante o Governo.

Segundo o dissidente, os religiosos que o visitaram foram José Félix Pérez Riera, secretário adjunto da Conferência de Bispos Católicos de Cuba e um representante do Arcebispado de Havana.

Sobre seu estado de saúde, Fariñas disse que hoje foi submetido a um exame que confirmou que seu diagnóstico é grave embora estável.

Após 80 dias em greve de fome, o jornalista, hospitalizado desde março, pesa 67,5 quilos, apresenta uma temperatura de 36,3 graus, uma pressão de 10-6 e uma frequência cardíaca de 86 batidas por minuto.

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