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Térmicas para recuperar reservatórios vão custar R$ 39 bilhões entre 2022 e 2025

Os projetos vencedores têm custo fixo médio de R$ 1.563,61 por MWh. O leilão teve deságio de apenas 1,2% em relação ao preço máximo.

Por FolhaPress 25/10/2021 4h07
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nicola Pamplona

A energia emergencial contratada para ajudar na recuperação dos reservatórios custará ao consumidor R$ 39 bilhões entre 2022 e 2025, quando projetos contratados em leilão realizado pelo governo nesta segunda-feira (25) estarão em operação.

No leilão, o governo contratou 775,8 MW (megawatts) médios em capacidade de geração adicional. Os projetos vencedores têm custo fixo médio de R$ 1.563,61 por MWh (megawatt-hora). O leilão teve deságio de apenas 1,2% em relação ao preço máximo.

A contratação foi aprovada em setembro pela Creg (Câmara de Regras Operacionais de Gestão da Crise Hidroenergética), grupo liderado pelo MME (Ministério de Minas e Energia) responsável pela estratégia para enfrentar a crise hídrica.

O objetivo é garantir o abastecimento em 2022 em caso de novo verão com chuvas abaixo da média e ajudar a recuperar os reservatórios para níveis mais confiáveis nos anos seguintes, reduzindo o risco de nova crise hídrica.

Em nota após o leilão, o MME frisou que o custo variável de geração das térmicas contratadas, de R$ 685 por MWh, é inferior aos das usinas que operam de forma emergencial atualmente, que chegam a custar mais de R$ 2.000 por MWh gerado.

Os projetos vencedores terão investimentos de R$ 5,2 bilhões. Deste total, R$ 5 bilhões serão destinados a térmicas a gás natural, que ficaram com 97% do volume contratado na concorrência. O restante será fornecido por uma térmica a biomassa no Mato Grosso e duas usinas solares em Rondônia.

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As térmicas a gás vencedoras estão localizados no Paraná, em Santa Catarina, no Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Espírito Santo. A empresa que emplacou o maior volume contratado no leilão foi a EPP (Evolution Power Partner), com 43% da energia negociada. A EPP vai desenvolver projetos no Mato Grosso do Sul e no Rio de Janeiro.

O diretor da empresa Rafael Rangel explica que são usinas menores do que as construídas para disputar leilões de energia com contratos de longo prazo e, por isso, podem ser colocadas em operação mais rapidamente. “A EPP tem um portfólio de mais de 5 GW de projetos e conseguiu se colocar numa posição de aproveitar os projetos no leilão”, diz ele.

O custo da geração dos projetos contratados de forma emergencial será rateado por todos os consumidores brasileiros, colocando ainda mais pressão sobre as tarifas de energia para os próximos anos.

Na semana passada, o governo anunciou que deverá negociar um novo socorro ao setor, para cobrir o rombo na conta usada para pagar as térmicas que estão ligadas para garantir o abastecimento em 2021 em meio a um cenário de alta nos preços dos combustíveis.

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Esse empréstimo, cujo valor ainda não foi divulgado, será cobrado nas tarifas nos anos seguintes, assim como ocorre com a chamada Conta Covid, que levantou R$ 14,8 bilhões para resolver problemas de caixa das distribuidoras de eletricidade no início da pandemia.








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