O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro alcançou R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026, um aumento real de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025 e o maior valor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), iniciada em 2012. Esse é o segundo trimestre consecutivo com salário médio acima de R$ 3,7 mil, após R$ 3.702 no período anterior e R$ 3.662 no quarto trimestre de 2025, representando expansão de 1,6% no trimestre.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento no rendimento médio foi observado em dois grupos de atividades: comércio, com alta de 3% (R$ 86 a mais), e administração pública, com elevação de 2,5% (R$ 127 a mais). De acordo com a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, parte desse avanço pode ser atribuída ao reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 em janeiro, além da redução de 1 milhão de trabalhadores ocupados em relação ao quarto trimestre de 2025, concentrada em informais que recebem menos.
A massa de rendimentos totalizou R$ 374,8 bilhões, também um recorde para o período, com crescimento de 7,1% acima da inflação em comparação ao primeiro trimestre de 2025, equivalendo a R$ 24,8 bilhões a mais. Essa soma representa o total dos salários dos trabalhadores, destinados a consumo, pagamento de dívidas, investimentos e poupança.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 6,1%, a menor já registrada para um primeiro trimestre na série histórica, uma queda de 0,9 ponto percentual ante os 7% de 2025. A pesquisa considera desocupadas as pessoas que procuraram emprego nos 30 dias anteriores à coleta de dados em 211 mil domicílios nos estados e no Distrito Federal, abrangendo indivíduos de 14 anos ou mais em todas as formas de ocupação.
A informalidade recuou para 37,3% da população ocupada, totalizando 38,1 milhões de trabalhadores informais, abaixo dos 37,6% no trimestre anterior e 38% em 2025. O número de empregados com carteira assinada no setor privado (excluindo domésticos) aumentou 1,3% no ano, com 504 mil pessoas a mais, alcançando 39,2 milhões. Já os sem carteira no setor privado diminuíram 2,1% no trimestre, para 13,3 milhões. Trabalhadores por conta própria mantiveram-se estáveis em 26 milhões no trimestre, mas subiram 2,4% (607 mil a mais) na comparação anual.
Em termos de ocupação por grupamentos, houve aumentos anuais em informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+3,2%, 406 mil a mais) e administração pública (+4,8%, 860 mil a mais). Houve redução em serviços domésticos (-3,6%, 202 mil a menos).
A proporção de contribuintes para previdência atingiu 66,9%, o maior índice da série, abrangendo 68,174 milhões de trabalhadores protegidos socialmente, como empregados, empregadores, domésticos e por conta própria que contribuem para institutos como o INSS. Segundo Beringuy, isso reflete a queda na informalidade, embora informais como contas próprias sem CNPJ possam contribuir individualmente.