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Economia

"Bico" está em queda

Arquivo Geral

29/11/2012 7h00

Soraya Sobreira

soraya.sobreira@jornaldebrasilia.com.br


O brasiliense está conseguindo melhorar suas condições de trabalho. Houve um decréscimo 22,6% no número de empregos precários ou informais entre outubro de 2011 e outubro deste ano. Os famosos ‘bicos’ caíram, impulsionados principalmente pelas classes média (15%) e baixa (25,6%). O resultado faz parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) no Distrito Federal, divulgada pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 

No mês passado, a PED revelou o menor número de desempregados neste ano. A taxa passou de 11,9%, em setembro, para 11,4% em outubro. Este é o menor índice de desemprego para o mês desde o início da série histórica, em 1992.

 

Novas oportunidades


A coordenadora da pesquisa pelo Dieese, Adalgiza Amaral, explica que os resultados em relação ao mercado informal demonstram que as pessoas estão encontrando novas oportunidades. “Antes, não percebemos estas quedas, por isso, consideramos muito positivo estes percentuais. Agora, os trabalhadores informais migram para carteira assinada ou se tornam profissionais liberais. É um cenário novo e muito bom”, avalia. De acordo com o Dieese, em 2009, havia 181 mil trabalhadores em funções precárias ou informais. Agora, são 149 mil.

 

O secretário adjunto de Trabalho, Divino Martins, se diz contente com o percentual, principalmente pelo aumento de sete mil novos postos de trabalho criados no mês. “Demonstra que os investimentos feitos pelo governo e pelos contratantes estão dando lucros”, diz.

 

No mês em análise, com pequena variação positiva do nível ocupacional (0,5%, ou 7 mil novos postos), o contingente de ocupados no DF foi estimado em 1,285 milhão de pessoas. Esse resultado, segundo a PED, deveu-se ao crescimento do número de ocupados na construção (8,0% ou 7 mil), indústria de transformação (4,3% ou 2 mil) e no comércio e reparação de veículos (2,1% ou 5 mil). Houve redução no setor de serviços (-0,6% ou menos 5 mil). O subsetor de Administração Pública, Defesa e Seguridade Social apresentou aumento (4,6% ou 9 mil), de acordo com a pesquisa do Dieese/Codeplan.

 

A alegria de ter, agora, salário todos os meses

 

A vendedora Juliana Fonseca, 21 anos, comemora o emprego com carteira assinada. Ela trabalhou na relojoaria da mãe por muitos anos e há três semanas conseguiu finalmente ingressar no mercado de trabalho de maneira formal. “Era mesmo um bico que eu fazia porque não tinha salário fixo. Além disso, por quase dois anos fiquei também fazendo serviços extras de brigadista em festas e eventos”, conta. 

 

Ela lembra que buscou emprego formal, mas sempre encontrova dificuldades. “Agora que encontrei, tenho uma liberdade maior até para fazer minhas compras. Fico muito feliz, sem falar na elevação de renda”, comemora.

 

A Codeplan explica que a queda do desemprego se deve à estabilidade da População Economicamente Ativa, hoje contabilizada em 1,451 milhão de pessoas. A população desempregada no Distrito Federal no mês de outubro foi de 166 mil pessoas. 

 

Em setembro, o rendimento médio real aumentou para os ocupados (3,5%), assalariados (1,6%) e autônomos (1,3%). O analista de dados da PED, Daniel Biagioni destaca a importância da elevação da renda. “Isto facilita a melhora nas condições de vida da população, que passa a investir, por exemplo, na qualificação profissional”, cita.

 

Outro ponto positivo apontado pela PED é a avaliação do tempo médio de procura por trabalho, que reduziu de 42 semanas, em outubro de 2011, para 40 semanas em outubro de 2012.

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