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Plano do Bradesco reduz hierarquia, dá poder a executivos e remodela varejo

“A nossa principal meta é entregar rentabilidades superiores”, disse Noronha na teleconferência

Foto: Reprodução / Facebook

São Paulo, 07 – Um banco com menos hierarquia, maior poder de decisão nas mãos dos executivos e com um varejo remodelado. Este deve ser o propósito do Bradesco nos próximos cinco anos, período em que deve colocar em prática o plano estratégico divulgado ontem pelo novo presidente do banco, Marcelo Noronha.

Elaborado em 60 dias, quando o normal seriam pelo menos seis meses, o plano tem como principal objetivo levar a instituição de volta aos 20% de rentabilidade (retorno sobre o patrimônio líquido), após um ciclo de resultados bem abaixo disso – em balanço divulgado ontem, o Bradesco reportou rentabilidade de 10% no final de 2023, além de elevar sua participação no mercado de crédito.

Noronha afirmou em teleconferência a analistas que desde que assumiu o comando do banco, em novembro do ano passado, o plano foi discutido praticamente todos os dias, “tirando a noite de Natal e o Réveillon”. Com a ajuda de uma consultoria externa, a McKinsey, a nova gestão do Bradesco se debruçou sobre “fortalezas e fraquezas” e antecipou a entrega do planejamento em uma sinalização ao mercado de que vai virar a página.

Na cúpula, haverá uma reorganização, com parte do corpo executivo dedicado a tocar o dia a dia do banco, separado em unidades de negócio, e outro grupo à frente da implementação do novo plano. “A nossa principal meta é entregar rentabilidades superiores”, disse Noronha na teleconferência.

O primeiro movimento foi enxugar a cúpula do banco, que terá menos níveis hierárquicos. De agora em diante, diretores que chegarem ao comitê executivo não deixarão de exercer suas funções anteriores. Acima deles, as áreas do Bradesco foram separadas em seis unidades de negócio, que contarão com outras quatro unidades de suporte, separadas em temas como recursos humanos, riscos e operações.

“A nossa estrutura era complexa, com um excesso de degraus”, disse Noronha aos analistas. De acordo com ele, a simplificação deve tornar mais rápida a tomada de decisão, um passo fundamental para que os demais pontos do plano estratégico se concretizem.

Outras diretrizes centrais do plano são ampliar a participação no dia a dia financeiro de clientes de alta renda; manter a liderança entre pequenas e médias empresas; acelerar a modernização dos sistemas do banco; e melhorar modelos de crédito, utilizando mais dados e inteligência artificial.

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‘PRATAS DA CASA’

No crédito, o objetivo é sair da participação atual de 14% do mercado para algo entre 15% e 19% em cinco anos. Em pequenas empresas, ampliar o número de clientes dos atuais 1,7 milhão para algo entre 2 milhões e 2,5 milhões.

“O Bradesco sempre foi um dos players mais tradicionais do mercado, com forte ênfase na construção de carreira com ‘pratas da casa’ e menos rápido que alguns concorrentes na adaptação às mudanças de terreno que vimos nos últimos anos”, diz o sócio da consultoria de inovação Spiralem, Bruno Diniz. “É uma grande instituição e um player muito relevante que, no momento, precisa atualizar diferentes frentes.”

O objetivo do banco é que as mudanças, que já estão sendo implementadas, se traduzam, para o cliente, em um atendimento remodelado. No “coração” do Bradesco, que são os clientes com renda de até R$ 8 mil mensais, o desafio é reduzir o custo da estrutura sem deixar de estar presente.

Para acelerar o passo, o banco dividiu em duas a área de varejo, que era comandada pelo próprio Noronha até novembro. “Separamos o digital do varejo físico por uma questão de foco e de habilidade”, disse ele. A nova área, de negócios digitais, terá um executivo de fora – uma quebra de paradigma para o Bradesco, feita justamente para oxigenar o banco.

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Embora a transição seja gradual, o Bradesco terá o desafio do “tudo ao mesmo tempo agora”. “Vamos executar todas as iniciativas ao mesmo tempo”, disse Noronha.

 

Estadão Conteúdo

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