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Economia

Petróleo abre em alta após revés em retomada de negociações entre EUA e Irã

Redação Jornal de Brasília

27/04/2026 6h21

petróleo

Foto: Reprodução/Instagram

Tamara Nassif
Folhapress


Os preços do petróleo abriram em alta neste domingo (26), tendo como pano de fundo a frustração com a retomada de negociações entre Estados Unidos e Irã esperada para este final de semana.

Ainda que o chanceler iraniano Abbas Araghchi tenha se reunido com autoridades paquistanesas no sábado (25), como anunciado pelo regime na sexta-feira (24), o presidente Donald Trump cancelou a viagem dos enviados norte-americanos para Islamabad, capital do Paquistão.

A decisão de Trump marca um revés nas negociações entre Washington e Teerã e frustra as expectativas dos mercados globais, que anseiam pelo desfecho da guerra que tomou o Oriente Médio há dois meses.

Em resposta, os preços do petróleo Brent, referência internacional, avançavam 2,2% na abertura, cotados a US$ 107,6 por barril nos contratos de junho.

Na sexta-feira (24), a cotação fechou em US$ 105,33, acumulando alta de mais de 16% na semana, refletindo os temores de que os gargalos no mercado de energia devem persistir por mais tempo do que o esperado.

Os contratos de julho, que passaram a ser a referência após a rolagem dos contratos mais próximos do vencimento, também avançavam cerca de 2%, cotados a US$ 101,37.

O movimento abre uma semana de decisões sobre taxas de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano) e pelo Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, nesta quarta-feira (29). As reuniões acontecem em meio às incertezas sobre o fim do conflito e a pressão inflacionária causada pela alta dos preços dos combustíveis.

Em 27 de fevereiro, última negociação antes do início do conflito, os barris eram negociados a US$ 72. A alta acumulada de cerca de 40% é devida principalmente ao fechamento do estreito de Hormuz, na costa iraniana, por onde passava 20% da produção global de petróleo e gás natural.

A visita a Islamabad pelos enviados dos Estados Unidos foi considerada uma “perda de tempo” por Trump. “Ninguém sabe quem está no comando, nem eles mesmos. E nós temos todas as cartas na manga, eles não têm nenhuma! Se quiserem conversar, é só ligar!”, escreveu ele na rede Truth Social.

Os negociadores eram Steve Witkoff, encarregado dos EUA para as negociações no Oriente Médio, e Jared Kushner, genro do presidente que cuida dos interesses empresariais do sogro mesmo sem ter cargo oficial.

Em postagem no X, horas depois do anúncio de Trump, o chanceler iraniano afirmou ter “compartilhado a posição do Irã a respeito de uma estrutura viável para encerrar permanentemente a guerra contra o Irã; ainda resta saber se os EUA estão realmente levando a diplomacia a sério.”

A expectativa de uma nova rodada de negociações pautou os mercados na sexta-feira. A semana, até aquele ponto, estava sendo de um intenso vaivém diplomático depois que a primeira tentativa de acordo, liderada pelo vice-presidente norte-americano JD Vance, caiu por terra.

Foram 21 horas de tratativas que terminaram sem resolução. Os pontos de discórdia incluem o destino do estoque de urânio enriquecido do Irã e o futuro de seu programa nuclear, bem como a governança do estreito de Hormuz, ponto focal da crise energética instalada pelo conflito no Oriente Médio.

O tráfego pela via matítima diminuiu em 95% desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

O Irã afirmou que não negociará enquanto os EUA mantiverem o bloqueio aos seus portos. No sábado, o Comando Central dos EUA anunciou que o destróier de mísseis guiados USS Pinckney interceptou uma embarcação sancionada no Mar Arábico e a obrigou a retornar ao Irã.

Segundo o comunicado, o M/V Sevan estava entre os 19 navios da “frota paralela” sancionados pelo Departamento do Tesouro por transportar “bilhões de dólares em produtos iranianos de energia, petróleo e gás, incluindo propano e butano, para mercados estrangeiros”.

O Comando Central dos EUA informou que 37 embarcações foram redirecionadas desde o início do bloqueio.

Trump está sob intensa pressão política nos Estados Unidos. Às vésperas da eleição de meio de mandato, a disparada do petróleo culminou em uma alta nos preços dos combustíveis no país: o galão, antes em US$ 2,98, subiu para US$ 4, forçando os norte-americanos a adotar alternativas para economizar no transporte.

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