Um estudo divulgado nesta segunda-feira (22) pelo governo federal aponta que agricultores familiares atendidos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) tiveram aumento de até 30% na renda. A pesquisa, desenvolvida pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), também indica que a política pública ampliou a comercialização da produção e beneficiou milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Criado em 2003, o PAA compra alimentos de agricultores familiares e os doa a entidades da rede socioassistencial, públicas e filantrópicas em todo o país. Desde o início de 2023, o governo federal investiu cerca de R$ 2 bilhões no programa para adquirir 376,6 mil toneladas de alimentos. No período, cerca de 140 mil agricultores familiares venderam produção ao programa, que alcançou ao menos 9 milhões de pessoas e chegou a 9.310 entidades recebedoras de alimentos.
Entre os beneficiados está a agricultora Célia Maria da Silva Soares, de 66 anos, que vive no Assentamento Santana Nossa Esperança, na zona rural de Teresina (PI). Ela contou que a participação no programa ajudou a melhorar a vida da família e permitiu avanços na casa, hoje com piso de cerâmica. Ao lado do marido, Francisco, Célia produz alimentos para consumo próprio e para venda, além de levar parte da produção à quitanda da comunidade.
Segundo o estudo apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a implementação do PAA foi capaz de reduzir em até 57% a chance de permanência dos agricultores no Cadastro Único. A pesquisa também mostra que, em 2024, o programa esteve presente em 3.334 municípios, o equivalente a 60% das cidades brasileiras, em todas as regiões do país.
Na modalidade Compra com Doação Simultânea, os beneficiários registraram aumento médio de R$ 50 na renda per capita, o que representa crescimento de 30%. Já no caso do PAA de venda de leite, o aumento médio foi de R$ 32 por pessoa, equivalente a 19% na renda. O levantamento apontou ainda crescimento da participação de povos indígenas, de 0,7% para 6%, entre 2022 e 2024, após a ampliação da prioridade a esse público na execução do programa.
*Com informações da Agência Brasil