Presentes, viagens e planos para o futuro costumam ganhar espaço nas conversas durante o Dia dos Namorados. Mas um assunto que impacta diretamente a vida a dois ainda costuma ficar em segundo plano: o dinheiro. Pesquisa da Serasa mostra que 53% dos brasileiros consideram as finanças o principal motivo de brigas nos relacionamentos amorosos.
O levantamento revela ainda que 49% já esconderam algum problema financeiro do parceiro. Além disso, 41% afirmam ter ficado com o CPF negativado em razão de um relacionamento e 45% disseram ter assumido dívidas deixadas por ex-companheiros mesmo após o término.
Os números ajudam a explicar por que o tema tem ganhado espaço nas discussões sobre relacionamentos e planejamento familiar. Em uma data associada a presentes e celebrações, especialistas defendem que conversas sobre dinheiro também devem fazer parte da rotina dos casais.
Para Lucy Barbosa, planejadora financeira da VLG Investimentos, o diálogo sobre orçamento, investimentos e objetivos futuros não deve ficar restrito a quem pretende casar ou dividir a mesma casa. “Quando surgem sonhos compartilhados, é importante que o planejamento acompanhe esses objetivos. É ele que transforma intenções em metas possíveis de serem alcançadas”, afirma.
Amor e orçamento andam juntos
Segundo a especialista, um dos erros mais frequentes é a falta de alinhamento sobre prioridades. O que representa um gasto importante para uma pessoa pode ser considerado desnecessário pela outra. Sem conversas claras sobre hábitos de consumo, expectativas e metas, as diferenças tendem a gerar desgastes.
A planejadora afirma que comunicação, transparência e respeito são fundamentais para alinhar objetivos quando os parceiros possuem perfis diferentes. “O casal é formado por duas pessoas com individualidades e prioridades próprias. Por isso, é importante construir acordos que contemplem os objetivos em comum sem deixar de respeitar os projetos individuais”, afirma.
Construir patrimônio em conjunto, segundo ela, não significa abrir mão da autonomia financeira. O casal pode definir investimentos para objetivos comuns, como a compra de um imóvel, uma viagem ou a formação de uma reserva financeira, enquanto cada pessoa mantém recursos destinados a interesses próprios. “É possível investir em conjunto e, ao mesmo tempo, preservar a independência financeira de cada parceiro”, acrescenta.
As divergências também costumam aparecer na hora de investir. Enquanto um parceiro prefere aplicações mais conservadoras, o outro pode estar disposto a correr mais riscos. Nesses casos, Lucy explica que a diversificação da carteira ajuda a equilibrar diferentes perfis sem comprometer os objetivos do casal. “Não é necessário que os dois tenham exatamente a mesma tolerância ao risco. O importante é encontrar uma estratégia que faça sentido para ambos”, afirma.
Estudo publicado pelo Journal of Consumer Research aponta que casais que compartilham parte da gestão financeira tendem a apresentar maior alinhamento de objetivos e melhor compreensão da situação financeira um do outro. Para a especialista, independentemente de optar por conta conjunta, contas separadas ou um modelo híbrido, a transparência continua sendo o principal fator para evitar conflitos.
“Conversar sobre dinheiro, revisar metas periodicamente e definir prioridades em conjunto costuma fazer mais diferença do que o modelo financeiro escolhido. Quando existe clareza sobre os objetivos, as decisões ficam mais simples e o casal consegue avançar na mesma direção”, conclui.