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Economia

Mulheres do Pará impulsionam bioeconomia e conquistam independência

Empreendedoras de Parauapebas, próximas à Floresta Nacional de Carajás, geram renda sustentável com mel, biojoias e cerâmica, superando desafios e empoderando comunidades.

Redação Jornal de Brasília

20/04/2026 9h44

Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras da Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA). Foto: Washington Alves/ Light Press/Divulgação

Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras da Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA). Foto: Washington Alves/ Light Press/Divulgação

Em Parauapebas, no sudeste do Pará, mulheres estão transformando suas vidas por meio de iniciativas de bioeconomia, aliando sustentabilidade à geração de renda e preservação da Floresta Nacional de Carajás. Projetos como produção de mel, cerâmica e biojoias destacam o potencial econômico da Amazônia em pé.

A Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA), com cerca de dez anos de existência, reúne 23 famílias, majoritariamente lideradas por mulheres. Elas produzem mel de abelhas comuns e sem ferrão, resgatadas de áreas de supressão. Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras, relata que a iniciativa permitiu que muitas mulheres, antes analfabetas, voltassem a estudar e saíssem dos afazeres domésticos. “A gente só sabia passar e cozinhar, mas agora estamos empreendendo”, conta ela. As mulheres administram finanças, envase e precificação, enquanto os homens cuidam dos apiários.

No cenário nacional, mais de 2 milhões de pequenos negócios abertos no Brasil em 2023 foram liderados por mulheres, segundo o Sebrae, com base em dados da Receita Federal. Esse número representa quatro em cada dez novos empreendimentos, um aumento de 27% em dez anos, de 8,2 milhões para 10,4 milhões de negócios femininos. No Pará, 37,6% das pequenas empresas criadas em 2023 eram lideradas por mulheres. Renata Batista, gerente da Unidade de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará, atribui o crescimento à maior escolarização, busca por autonomia e acesso à formalização via Microempreendedor Individual (MEI).

A Associação Preciosidades da Amazônia, com 12 mulheres, transforma sementes em biojoias, misturando arte e sustentabilidade. Luciene Padilha, secretária do grupo, destaca o impacto financeiro, social e emocional, ajudando mulheres vulneráveis a se fortalecerem. Com apoio da prefeitura, Vale, Sebrae e Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), elas extraem materiais da natureza e agora ministram oficinas para novas gerações. Sandra Brasil, tesoureira, enfatiza: “Não é só ouro e prata que são tesouros; a natureza é o verdadeiro tesouro da humanidade”.

O grupo Mulheres de Barro, formado por 18 mulheres e quatro homens, produz cerâmicas inspiradas em artefatos arqueológicos de 6 mil anos encontrados durante o projeto Salobo da Vale. Surgido em oficinas de educação patrimonial pelo Museu Paraense Emílio Goeldi e Iphan, o grupo usa argila de sobras de construções para evitar degradação ambiental. Sandra dos Santos Silva, presidente, explica o processo sustentável de peneiramento e modelagem. Maria do Socorro Assunção Teixeira, fundadora, celebra: “Agora me sinto multiplicadora de conhecimento”.

Essas iniciativas extrapolam a geração de renda, promovendo empoderamento feminino. Patricia Daros, diretora de soluções baseadas na natureza da Vale, nota que 30% dos 50 projetos de bioeconomia apoiados pela empresa são liderados por mulheres. O Fundo Vale aportou mais de R$ 430 milhões em 146 iniciativas na região. A bioeconomia move R$ 13,5 bilhões anuais no Pará, impulsionada por cadeias produtivas ligadas à floresta e agricultura familiar.

Apesar dos avanços, desafios persistem, como acesso ao mercado, gestão financeira e crédito, agravados para mulheres pela sobrecarga doméstica. Renata Batista ressalta a necessidade de estruturar cadeias e financiamento adequados. Recentemente, o governo federal lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), com eixo para sociobioeconomia e ativos ambientais, visando fortalecer esses projetos.

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