Sob vaias de funcionários em greve e aplausos do público, a presidente Dilma Rousseff defendeu veladamente, em Minas Gerais, sua política de não ceder às reivindicações dos grevistas do serviço público. Ela, porém, começa a enfrentar reações até mesmo dentro do Judiciário. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello disse considerar legítimo o direito do trabalhador de exigir reposição de seu poder aquisitivo e que é natural que greves aconteçam quando o Estado “não observa esse direito”.
“Vamos ter uma época de paralisação do serviço público. Por culpa de quem? Por culpa do Estado que tripudia com o servidor”, disse o ministro. Mello lembrou que ele mesmo está sem reajuste salarial há seis anos. “O que eu ganho hoje não compra o que se comprava seis anos atrás”, reclamou. O ministro criticou o Estado por não fazer essa reposição salarial garantida em lei. “O Estado não consegue a reposição do poder aquisitivo, aí os segmentos começam a fazer barulho”, afirmou.
O ministro fez coro a servidores que acompanharam a agenda de Dilma Rousseff em Rio Pardo de Minas, município de 30 mil habitantes no norte Minas Gerais, durante a solenidade de ampliação do Programa Brasil Sorridente. Enquanto os cerca de 40 servidores gritavam: “A greve continua. Dilma, a culpa é sua”, a presidente, aparentando contrariedade, mas tentando se mostrar tranquila, afirmou que sua prioridade para enfrentar as consequências da crise europeia será dirigir recursos públicos para manter empregos no setor privado, o que irritou ainda mais os ativistas.
País para a maioria
“Este é um País que tem de ser feito para a maioria de seus habitantes. Não pode ser feito só para uma parte deles. Tem de olhar o que é mais importante para o País atender. O Brasil sabe que pode e vai enfrentar a crise e vai passar por cima dela. Queremos todos os brasileiros empregados, recebendo seus salários e recebendo serviços públicos de qualidade”, afirmou, a cerca de 40 metros do local onde gritavam os manifestantes.
A presidente encerrou o pronunciamento com um agradecimento irônico. “Queria dizer a vocês que me orgulho, como (o ex-presidente) Juscelino (Kubitschek), porque vejam, dois presidentes mineiros, o Juscelino e eu, de ter estado aqui nesta cidade. Não vou esquecer vocês, não vou esquecer esta recepção. E sobretudo quero dizer que fico sempre muito feliz de ver esta forma tão amigável como Minas recebe a gente”, afirmou.