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Economia

Material escolar: Diferença de quase dois mil por cento nos preços

Arquivo Geral

17/01/2014 8h01

A poucos dias da volta às aulas nas principais escolas do DF, comprar o material escolar dos filhos é  um desafio. Com o intenso movimento nas papelarias, muitos pais deixam a pesquisa de preços em segundo plano. Mas esse simples descuido pode se transformar em um grande prejuízo financeiro. 

Em uma lista de material escolar,  com 27 itens, destinada a alunos da educação básica, por exemplo, os preços podem oscilar em quase 1.770,73%. 

É o que revela uma pesquisa feita pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Procon) em 14 papelarias e livrarias localizadas no Plano Piloto e regiões administrativas do Distrito Federal.

Diferenças

O levantamento constatou diferenças exorbitantes entre os produtos oferecidos nos estabelecimentos. Comprar um estojo com dois lápis de escrever grossos, uma borracha e um apontador pode doer o bolso. Em uma das lojas pesquisadas, a mercadoria foi encontrada a R$ 2,05, mas em outra papelaria, o valor pulou para R$ 38,35. 

Entre um estabelecimento e outro, um simples rolo de fita adesiva pode apresentar diferenças gritantes de preços. Técnicos do Procon encontraram o produto por R$ 0,30 em uma loja e R$ 3,50 em outra. O terceiro item com maior divergência foi uma tesoura com ponta redonda. Em uma papelaria, ela foi encontrada a R$ 0,79 e em outra R$ 4,89.

Somando todos os itens de uma mesma lista de material com 27 itens, o preço chega a R$ 85,15 em uma papelaria de Sobradinho e a R$ 147,20 na Asa Sul. 

Sobradinho e Ceilândia

As cidades que apresentaram os preços mais acessíveis foram Sobradinho e Ceilândia. O segundo lugar a apresentar preços mais em conta também está localizado em Sobradinho. Na empresa, todos os materiais ficaram a R$ 88,35. A terceira posição ficou com uma de Ceilândia, onde os itens saíram por R$ 89,29.

Todas lojas com preços mais salgados estavam na Asa Sul. A conta mais cara ficou a R$ 147,10, seguida do valor de R$ 145,06 e R$ 140,12. As diferenças doem no bolso de quem fica refém de pagar quase 2.000% a mais pelos mesmos produtos.

Saiba Mais

O impasse dos uniformes das escolas públicas ainda não tem um desfecho oficial. Porém, integrantes do governo  sinalizam que o GDF deve adotar os dois modelos neste   semestre – o antigo e o novo. 

O problema começou quando foi anunciado o novo uniforme, que será doado aos alunos e produzido pelo  governo. Mas empresários do setor alegaram que terão prejuízo, uma vez que já fabricaram o modelo antigo.

Para Procon, pesquisa ainda é a saída

O diretor-geral do Procon, Todi Moreno, informou que a instituição percebeu um abuso de algumas papelarias. Segundo ele, o comércio é livre para determinar os valores das mercadorias e por isso o consumidor deve ficar atento às pesquisas. 

“O grande segredo é os pais fazerem pesquisa e não comprar os materiais na correria. Antes de levar a lista à papelaria, é bom verificar se a família não está sendo conduzida pela escola em relação a marcas dos produtos e lojas específicas”, disse o diretor-geral. 

“O cliente pode negociar desconto ao pagar no cartão de débito, mas as lojas não podem condicionar os pais a pagarem a vista por uma suposta redução nos valores”, lembra.

Sem credibilidade

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Escritório, Papelaria e Livraria do Distrito Federal (Sindipel-DF), José Aparecido Freire, não gostou do resultado do levantamento. Segundo ele, a pesquisa não tem credibilidade porque nas lojas existem produtos com mais de dez marcas diferentes. 

Quanto aos produtos analisados pelo Procon, José Aparecido afirma que são mercadorias que nem sequer têm condições de serem usadas como comparativo. “Eles analisam um produto de primeira linha com outro bem inferior. Todos os anos acontece essa discrepância com a pesquisa do Procon que é sem credibilidade e malfeita. É como comparar um carro popular com uma BMW”, garante.

O presidente da Associação de Pais de Alunos das Instituições de Ensino (Aspa/DF), Luis Cláudio Megiorin, avalia que a oscilação de preços nas listas de material escolar é parte de um problema socioeconômico. 

Segundo ele, o DF tem a educação mais privatizada do Brasil e proporcionalmente é aqui que os empresários menos investem na área de ensino. 

”Falta lisura porque o empresário busca lucratividade e quer levar vantagem em cima das pessoas. A bola da vez hoje é a educação. Tudo está sendo explorado no ramo de educação”, afirmou.

Pais dizem que não têm para onde fugir

A autônoma Larissa Menon, 31 anos, já comprou boa parte do material escolar da filha Giovanna Menon, 11 anos, que inicia o ano letivo na segunda-feira. A mãe conta que fez pesquisas em quatro papelarias da Asa Norte e do Núcleo Bandeirante. 

Além disso, ela também fez orçamentos em sites dos estabelecimentos. “Cada ano está mais caro, mas não tem por onde fugir. Sem opção de mercadorias e preços o jeito é comprar onde a gente acha os livros e outros produtos. Percebi uma alta diferença em mochilas e cadernos”, explica.

Levantamento

A pesquisa de preços também fez parte da realidade de Ivana Cristina Pereira, 38 anos. A gerente já gastou aproximadamente R$ 1,5 mil com o material escolar básico do filho Gabriel Henrique Pereira, 10 anos. 

A mãe fez levantamento em pelo menos duas papelarias e constatou alta expressiva nos livros. “Estão bem mais caros, quase 10% mais alto. 

Os cadernos já variam dependendo da marca, mas ele não abre mão dos personagens na capa. Não tem alternativa”, esclarece.

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