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Kátia Flávia
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“Podre por dentro”: Paolla Oliveira recebe ataques misóginos após revelar voto

Atriz mostrou mensagens machistas recebidas depois de se posicionar politicamente e avisou: “Seu voto é seu”

Kátia Flávia

15/10/2026 10h15

Paolla Oliveira compartilhou mensagens ofensivas recebidas após se posicionar politicamente

Paolla Oliveira compartilhou mensagens ofensivas recebidas após se posicionar politicamente

Paolla Oliveira expôs mensagens ofensivas que recebeu de homens nas redes sociais após declarar seu posicionamento político. Entre os ataques, a atriz foi chamada de “bonita por fora, mas podre por dentro” e ouviu que teria “o cérebro mais pequeno” do que a aparência.

Eu saía da Embaixada, no Príncipe Real, rumo ao Jardim da Estrela, quando dei de cara com o desabafo de Paolla e precisei parar um instante. Porque o roteiro desses homens é tão previsível que chega a dar vergonha: antes, lotam a internet de “delícia”, “gostosa” e “era dentro”; quando a mulher abre a boca para defender o que pensa, viram fiscais de inteligência e donos do voto alheio.

Paolla não deixou a contradição passar em branco. A atriz lembrou que muitos dos perfis que agora despejam ofensas eram os mesmos que a sexualizavam havia anos. “Aqueles que me chamavam de delícia, gostosa, era dentro, agora estão me chamando de burra”, resumiu.

Eu, que já ia descendo a rua com o sol de Lisboa na cabeça, fico impressionada com a velocidade dessa transformação: para certa turma, mulher só pode existir como fantasia. Basta ela ter opinião, consciência e coragem para o desejo virar rancor. É um machismo tão velho que já devia estar aposentado, meu amor.

A atriz afirmou que aceita o debate e a crítica, mas fez uma distinção que deveria ser básica para qualquer adulto com acesso à internet: “Minhas opiniões podem ser debatidas, minhas escolhas podem ser criticadas. Mas ofensa não é argumento”.

No Jardim da Estrela, já procurando uma sombra para respirar, eu pensei no tamanho da violência escondida nessa patrulha. Não é só discordar de Paolla: é tentar reduzir uma mulher a um corpo admirável quando convém e a uma “burra” quando ela não serve ao projeto político deles. Que conveniência miserável.

Paolla disse que seu voto está ligado a valores, respeito à vida e dignidade. Em seguida, mandou um recado direto às mulheres: “Seu voto é seu. Não é do seu marido, do seu pai, do seu patrão. É você quem decide”.

Eu assino embaixo e carimbo com força: quem se incomoda tanto com uma mulher escolhendo por si mesma não quer debate, quer obediência. Paolla fez bem em expor a sujeira. Opinião se responde com opinião; ataque misógino se chama pelo nome.

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