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Kátia Flávia
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José de Abreu chama sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo de horror

Ator critica a condução da entrevista por Renata Lo Prete e questiona almoço de executivos da Globo com o senador. A indignação veio de dentro da própria emissora.

Kátia Flávia

17/10/2026 9h03

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José de Abreu não poupou críticas à condução de Renata Lo Prete na entrevista com Flávio Bolsonaro, chamando-a de ‘horror’ e ‘vergonha’

Minha Nossa Senhora de Almudena, segura essa caña que eu vou perder a compostura! Estava eu em Madrid, passeando com as amigas pela Gran Vía, quando meu celular resolveu me entregar uma novela muito mais apimentada do que qualquer produção das nove. José de Abreu, meu povo, resolveu criticar a própria Globo, onde trabalha, e colocou a sabatina de Flávio Bolsonaro no centro da discussão. Gente, o homem estava indignado. E fez questão de deixar isso registrado para todo mundo ler.

O ator, que está no ar em Por Você, não gostou da entrevista concedida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) à jornalista Renata Lo Prete, na sexta-feira (16). José considerou que o político teve liberdade para responder às perguntas sem ser suficientemente confrontado sobre declarações que o artista classificou como mentirosas. No X, escreveu: “Caralho, ele fala o que quer! Renata nao interrompe as mentiras! Horror! O horror!”

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Créditos: Reprodução/ X

Mas, minhas filhas, a história ganhou outro tempero quando José de Abreu trouxe para a discussão o almoço entre Flávio Bolsonaro e executivos da Globo, incluindo João Roberto Marinho, presidente do grupo, e Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais. O encontro foi confirmado pela emissora, que o classificou como uma visita institucional. E foi justamente essa proximidade entre a direção da empresa e o entrevistado que provocou o questionamento do ator.

“Impossível ser jornalista se teu patrão recebeu o entrevistado. Perdeu, Renata Lo Prete”, publicou José. Ai, minha santa protetora dos contratos de televisão! O ator fez uma crítica direta às circunstâncias da entrevista e à condução da sabatina. Isso não significa que tenha apresentado provas de interferência da direção da Globo no trabalho da jornalista. Uma coisa é questionar a independência editorial. Outra, bem diferente, é demonstrar que ela foi comprometida.

A Globo, por sua vez, explicou que encontros institucionais com candidatos fazem parte da rotina de empresas de comunicação e ressaltou que nenhuma liderança do Jornalismo participou do almoço. Há ainda um detalhe importante: Renata Lo Prete chegou a interromper Flávio Bolsonaro durante a sabatina, cobrando cuidado com afirmações não comprovadas. Portanto, a avaliação de José de Abreu sobre a condução da entrevista é uma opinião, não um retrato incontestável de tudo o que aconteceu.

O ator também comparou a estratégia de Flávio Bolsonaro à de Paulo Maluf, ao considerar que o senador desviava das perguntas para apresentar suas próprias respostas. E ainda demonstrou surpresa ao acompanhar as críticas dos comentaristas da GloboNews ao candidato. Olha a confusão, minha gente! O mesmo grupo de comunicação que recebeu o político para um almoço institucional também colocou no ar profissionais que o questionaram publicamente. A televisão brasileira consegue produzir mais reviravoltas do que uma novela inteira.

E aqui, minhas queridas, eu faço uma observação de fofoqueira que acompanha televisão há tempo suficiente para conhecer a diferença entre a sala da presidência e a bancada do jornal: a independência editorial precisa ser preservada, inclusive na aparência. Mas não se pode transformar um almoço entre executivos e um candidato em prova automática de interferência no trabalho de uma jornalista.

Voltei a olhar a Gran Vía, com as amigas já prontas para continuar o passeio, e pensei na ironia de tudo aquilo. José de Abreu criticou uma entrevista, questionou a relação institucional da emissora com o candidato e provocou uma discussão legítima sobre jornalismo e política.

No fim, a Globo serviu o almoço, Flávio Bolsonaro participou da sabatina, Renata Lo Prete fez as perguntas e José de Abreu reclamou do cardápio jornalístico.

E eu, minhas filhas, continuo preferindo as tapas de Madrid. Pelo menos aqui ninguém confunde almoço com entrevista.

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