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Juros sobem antes do Copom, mesmo com dólar e retorno dos Treasuries em queda

As apostas de aperto da Selic na quarta-feira seguem, com folga, concentradas em aumento de 0,75 ponto porcentual

Os juros fecharam a segunda-feira em alta, descolados do bom comportamento do câmbio e da queda no rendimento dos Treasuries. As apostas de aperto da Selic na quarta-feira seguem, com folga, concentradas em aumento de 0,75 ponto porcentual, mas há muitas dúvidas sobre o plano de voo do Banco Central, que, espera-se, sejam reduzidas no comunicado. Por isso, as taxas intermediárias foram as que mais avançaram.

Além disso, segundo relatos, o dia teve movimento forte de desmonte de posições em Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) no mercado secundário, o que pode explicar a piora nas taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) esta tarde

Para a semana, além da expectativa com o Comitê de Política Monetária (Copom), as atenções também estão voltadas a Brasília, pois, na terça-feira, deve ser lido na Comissão Mista o relatório da reforma tributária do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Ainda, o mercado aguarda os depoimentos de ex-ministros na CPI da Covid no Senado.

As principais taxas encerraram a sessão regular nas máximas. A do contrato de DI para janeiro de 2022, o mais negociado, fechou em 4,735%, de 4,667% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 6,284% para 6,410%. O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 7,86% (7,766% no ajuste anterior) e o DI para janeiro de 2027 subiu de 8,414% para 8,50%.

As máximas foram alcançadas à tarde, aparentemente sem nenhum gatilho que pudesse explicar o aumento da pressão, que não se via nem no câmbio, nem nos Treasuries nem no Ibovespa. Alguns profissionais observam que o movimento coincidiu com a zeragem de posições em NTN-B, que pode ter atingido as taxas na B3. “Teve bastante venda de B22 hoje”, afirmou o gestor de renda fixa da Sicredi Asset, Cassio Andrade Xavier. “Se o BC ‘vem forte’, a inflação implícita pode reduzir mais”, explicou, referindo-se ao Copom esta semana.

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Dado o discurso firme do BC em torno de nova alta de 0,75 ponto em maio, o mercado acredita que um recado mais duro pode vir do comunicado sinalizando para os encontros seguintes, dado que expectativas de inflação estão se desgarrando das metas. Depois do Itaú Unibanco afirmar na sexta-feira que conta com a retirada do termo “parcial” que vinha caracterizando as menções ao processo de normalização da taxa básica, nesta segunda-feira o JPMorgan foi na mesma linha.

“O BC tem de ser realista no statement, vai vir uma comunicação mais hawkish”, disse o operador de renda fixa da Terra Investimentos Paulo Nepomuceno.

Para ele, no entanto, se a taxa fosse elevada até o chamado nível neutro, ou seja, se houver a recomposição total, teria de haver um choque de juros. “Seria até pouco inteligente por parte do BC ter desestimulado o mercado a apostar em 1 ponto”, afirmou

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Estadão Conteúdo






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