Eduardo Moreira, fundador do ICL, afirmou nesta segunda-feira (13) que a demissão de Leandro Demori da direção de Jornalismo foi motivada pela necessidade de reequilibrar as contas da empresa. Segundo ele, o instituto acumulou prejuízos em 2026 e passou a enfrentar aumento nos custos de marketing digital, principalmente em anúncios nas plataformas da Meta e do Google.
Eu ainda estava com a mesa de reunião aberta, três canetas sem tampa e um caderno fingindo organização, quando a versão de Eduardo Moreira entrou na sala sem pedir licença. Depois da carta de Demori, veio a resposta do fundador do ICL, e eu só consegui pensar: “Pronto, agora a treta ganhou planilha, big tech e discurso de contenção de danos”. Quando demissão vira debate sobre algoritmo, pode saber que a fofoca entrou no departamento financeiro.

Em pronunciamento no telejornal do ICL, Moreira disse que a empresa enfrenta dificuldades desde o início do ano. De acordo com ele, o crescimento da operação elevou os custos, enquanto a principal fonte de financiamento do instituto, a venda de cursos, passou a ser pressionada pelo aumento no preço dos anúncios digitais.
O fundador afirmou que a maior parte dos alunos chega aos cursos por meio de publicidade paga em plataformas como Meta e Google. Segundo ele, essas empresas passaram a classificar parte das campanhas do ICL como propaganda política, o que teria encarecido os anúncios e reduzido a eficiência das campanhas. “Ao longo desses últimos dois anos essa propaganda cresceu absurdamente e nesse ano ela explodiu de preço”, declarou.
Minha filha, é a primeira vez que eu vejo uma demissão virar quase um tutorial de tráfego pago. Tem jornalista, CEO, diretor, curso, algoritmo, vermelho em peça publicitária e big tech sendo chamada para depor no tribunal da opinião pública. Só faltou alguém projetar um PowerPoint com gráfico de funil para justificar o climão.
Moreira também disse que o ICL decidiu não aceitar publicidade de bancos, casas de apostas ou governos, além de não monetizar vídeos no YouTube, para preservar a independência editorial. Segundo ele, esse modelo torna a venda de cursos ainda mais importante para bancar o jornalismo da instituição.
Ao falar especificamente sobre Demori, o fundador fez elogios ao jornalista, chamando-o de um dos profissionais mais competentes do país. Mas afirmou que ele acumulava funções e estava entre os nomes de maior remuneração da empresa, ao lado do então CEO e de outros diretores. A saída, segundo Moreira, faria parte de um ajuste para preservar dezenas de empregos.

Do outro lado, Demori sustenta outra versão. Ele afirma que foi retirado do ar por decisão unilateral da direção, disse que pretende revelar futuramente os bastidores da saída e lançou uma campanha de financiamento coletivo para seguir atuando durante a eleição. No fim de semana, também havia dito que recebeu a missão de cortar 30% do orçamento do jornalismo antes de ser demitido.
Ou seja: Eduardo fala em reestruturação, prejuízo e big tech. Demori fala em afastamento unilateral, bastidor não contado e vaquinha para continuar no jogo. Eu, sentada diante do meu caderno torto, só consigo ver uma coisa: essa demissão deixou de ser assunto interno faz tempo. Agora é briga pública com recibo, narrativa e cada lado tentando convencer a plateia de que a conta não fecha por culpa do outro.