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Inflação no Brasil só deve começar a ficar controlada em 2023, diz presidente do Bradesco

Embora mais grave no Brasil o problema é global. Um grupo de economistas eminentes prevê alta da inflação e fragmentação na globalização

Por FolhaPress 24/05/2022 6h38
Foto: Reprodução

Luciana Coelho
Davos, Suíça

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior, espera que a inflação continue a pressionar a economia global, e a do Brasil em especial —o que deve fazer com que a taxa básica de juros se mantenha em alta pelo menos até o final deste semestre.

“Acredito que a inflação vai continuar persistente neste ano todo, e a expectativa é que ela comece a ficar mais controlada a partir do ano que vem. Isso globalmente, e no Brasil em especial”, afirmou o executivo a jornalistas durante o encontro do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Ele projeta que a Selic, atualmente em 12,75%, chegue a 13,5% neste ano, com a inflação de 2022 em até 11%. O índice está muito acima do teto da meta inflacionária fixada pelo governo, que é de 5%.

A atual projeção do mercado para a inflação ainda está levemente abaixo de 8% segundo o boletim Focus, compilação do Banco Central com as perspectivas das principais casas bancárias do país, do final de abril.

Lazari enfatiza, contudo, que embora mais grave no Brasil o problema é global. Na véspera, um grupo de economistas eminentes ligados ao Fórum assinou um relatório no qual prevê intensificação da inflação e fragmentação na globalização, o que significa mais sobressaltos nas cadeias globais de fornecimento e, logo, mais pressão sobre os preços.

“O mundo todo está preocupado com o que está acontecendo com o fornecimento das cadeias globais de suprimentos, então isso enseja uma preocupação ou uma expectativa de continuidade da inflação por mais tempo. E isso de fato deve acontecer”, aponta Lazari.

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“Até que você restabeleça todas as cadeias de suprimentos globais, que é o que precisa acontecer efetivamente, para que você tenha o melhor controle da inflação. Hoje a inflação é de oferta, não de demanda. A partir o momento que você restabelece as cadeias de suprimentos globais você tem uma maior oferta e isso traz a inflação para baixo.”

A perspectiva do executivo, porém, é que isso não ocorra tão cedo.

“Você ainda tem o problema da pandemia, que tem uma influência relevante, e o problema da guerra [na Ucrânia], que também tem influência importante porque tanto a Ucrânia quanto a Rússia são produtores importantes de matéria prima e de produtos exportáveis.”

Lazari não quis comentar eventuais impactos da troca de comando na Petrobras —a segunda em 40 dias, com a substituição de José Mauro Coelho por Caio Paes de Andrade, próximo ao ministro Paulo Guedes (Economia), anunciada na noite de segunda. Para ele, a companhia é vista como “consolidada, independentemente de quem seja o presidente”.

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