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Economia

Inflação dos alimentos acelera e pressiona IPCA-15 com oferta menor e frete mais caro

Parte da inflação dos alimentos está associada à redução da oferta de produtos nesta época do ano, um fator sazonal, dizem economistas

Redação Jornal de Brasília

28/04/2026 15h21

ipca 15 alimentos

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LEONARDO VIECELI
FOLHAPRESS

A inflação do grupo alimentação e bebidas acelerou no Brasil de 0,88% em março para 1,46% em abril, apontam dados do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) divulgados nesta terça-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A alta de 1,46% é a maior para meses de abril em quatro anos, desde 2022 (2,25%). Com o resultado, o ramo de alimentação e bebidas exerceu a maior pressão sobre o IPCA-15 deste mês, estimada em 0,31 ponto percentual.

A pesquisa contempla nove grupos de produtos e serviços. A segunda maior pressão veio do ramo de transportes (0,27 p.p.), que subiu 1,34%. O IPCA-15, em termos gerais, avançou 0,89% em abril.

Parte da inflação dos alimentos está associada à redução da oferta de produtos nesta época do ano, um fator sazonal, dizem economistas.

Segundo eles, esse impacto pode ter sido intensificado pelo aumento dos custos dos fretes com o óleo diesel mais caro. O diesel subiu 16% no IPCA-15 de abril, em um reflexo da disparada das cotações do petróleo após o início da guerra no Irã.

A alta dos preços da alimentação no domicílio (em casa) acelerou de 1,1% em março para 1,77% em abril, segundo o IPCA-15.

Contribuíram para o resultado os avanços da cenoura (25,43%), da cebola (16,54%), do leite longa vida (16,33%), do tomate (13,76%) e das carnes (1,14%).

“Tem um pouco do [efeito do] petróleo na variação dos alimentos in natura e também as questões sazonais, da época do ano em que o produto fica realmente mais escasso. Isso é mais nítido no leite”, diz o economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

“Como as condições de pastagem pioram com a diminuição das chuvas, o pecuarista tem de entrar com rações [para alimentação das vacas].”

A alimentação fora do domicílio, em locais como bares e restaurantes, também acelerou. Passou de 0,35% em março para 0,7% em abril. Tanto a alimentação fora quanto a dentro de casa integram o grupo alimentação e bebidas no IPCA-15.

“As variações de preço são multifatoriais. Então, pode ter tido algum repasse já [do diesel mais caro], mas acho que o determinante neste momento é a sazonalidade da oferta de cada produto. Abril geralmente é ruim para alguns alimentos”, afirma o economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco Austin Rating.

O nível dos preços da comida é apontado por analistas como um dos principais fatores de influência no voto de eleitores.

A pressão da guerra preocupa o governo do presidente Lula (PT), que deve tentar a reeleição em outubro. Após o início do conflito no Oriente Médio, o Executivo lançou medidas para conter a alta de parte dos combustíveis.

Por ser divulgado antes, o IPCA-15 sinaliza uma tendência para o IPCA, o índice oficial de inflação do país. O IPCA serve de referência para a condução da política de juros do BC (Banco Central).

A divulgação do IPCA-15 coincide com a nova reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). O colegiado do BC tem encontro a partir desta terça para definir o patamar da taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,75% ao ano.

A decisão do comitê sai na quarta (29), e analistas esperam corte de apenas 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic para 14,5%.

“O IPCA-15 não mexe [na previsão para o Copom], mas acho que, se ele tem alguma função neste momento, é trazer um pouco de calma para os analistas que já estavam precificando uma mudança brusca de juros, alguns falando de juros para cima ou de estabilidade”, diz Sartori.

“Ainda tem espaço para cortar a Selic. A gente está esperando um corte de 0,25 ponto percentual”, completa o economista da Austin.

A taxa de juros é a ferramenta do BC para controlar a inflação. O Copom iniciou um ciclo de redução da Selic em março, depois do registro de sinais de trégua dos preços no país. O cenário, contudo, passou por mudanças a partir da guerra.

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