São Paulo, 06 – O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a afirmar nesta quinta-feira, 6, que o mundo está passando por um momento de convergência de inflação de alimentos e energia. “A economia global está mais sincronizada do que antes”, disse, emendando que, durante a pandemia, houve uma sincronia de políticas monetária e fiscal no mundo e que isso levou a efeitos colaterais na inflação de alimentos energia.
Os preços dos alimentos caíram antes e agora a inflação de energia caiu um pouco no mundo, de acordo com Campos Neto. No entanto, ele disse, os efeitos da pandemia continuam sendo tratados até hoje.
“Agora começamos a pensar no que será daqui para frente a inflação de energia e alimentos no mundo”, disse o banqueiro central, participante na manhã desta quinta-feira da abertura do MKBR 24, evento sobre mercado de capitais, organizado pela B3 e Anbima, com apoio do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Mercado de trabalho
O presidente do Banco Central afirma ainda que a inflação no Brasil encontra-se em um processo de convergência, mas que há preocupação da autoridade monetária com o mercado de trabalho apertado e com a inflação de alimentos. “Temos agora a incerteza do quanto o Rio Grande do Sul vai impactar a inflação”, disse, salientando que as expectativa de inflação de 2024 e 2025 têm piorado e que isso é mais um fator de preocupação para o BC. “As inflações implícitas também começara a subir”, comentou.
Ele também comentou sobre o Rio Grande do Sul ao falar sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Para ele, o PIB do País deve crescer ao redor de 2%, mas que será preciso estudar os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul sobre as contas nacionais.
“Vemos crescimento ao redor de 2%, mas temos que estudar os impactos do Rio Grande do Sul porque há dúvida sobre o que significa o evento no crescimento do PIB”, disse Campos Neto.
Quadro fiscal
O presidente do Banco Central também defendeu nesta quinta-feira, 6, a desindexação do Orçamento. Segundo ele, o quadro fiscal tem adicionado algum risco ao cenário, elevando as expectativas de inflação que, ainda de acordo com ele, são uma preocupação da autoridade monetária.
“O fiscal tem adicionado algum risco. A desindexação do Orçamento seria muito boa”, disse o presidente do BC.
De modo geral, afirmou, o cenário fiscal está mais no radar internacional e o quadro fiscal brasileiro fica mais em foco.
O quadro fiscal no Brasil tem sido questionado, mas o governo tem reagido desde a adoção do arcabouço fiscal, afirmou Campos Neto.
Estadão Conteúdo