HELENA SCHUSTER
PELOTAS, RS (FOLHAPRESS)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai anunciar nesta sexta-feira (22) uma ampliação do bloqueio de gastos de ministérios para respeitar o limite de despesas deste ano. O bloqueio atualmente está em R$ 1,6 bilhão –número que frustrou expectativas do mercado e de técnicos do próprio Executivo quando anunciado em março deste ano.
O ministro abordou assunto em entrevista à CNN Brasil na noite desta quinta-feira (21), afirmando que o governo irá “cortar na própria carne”, mas não detalhou números.
“A gente não espera um contingenciamento, dado que as receitas têm vido em linha com o esperado na lei orçamentária, mas um bloqueio em razão de aumento de gasto obrigatório”, afirmou Durigan.
O aumento do bloqueio, que será implementado “para compatibilizar” com as metas fiscais do governo, segundo Durigan, integra o relatório bimestral de receitas e despesas que deve ser apresentado às 15h desta sexta.
Durigan também afirmou que o patamar de juros no Brasil “não é civilizado”, mas descartou a questão fiscal como a causa do problema, dizendo que a guerra no Irã é a principal razão para a pressão inflacionária.
O ministro disse também que “não é verdade” que o governo gaste muito ou esteja injetando dinheiro para aumentar a demanda na economia.
“Criamos linhas de créditos específicas para alguns setores que estavam sendo mais impactados [pelo conflito no Oriente Médio]”, disse Durigan, citando anúncios direcionados para caminhoneiros e motoristas de aplicativo.
Ele acrescentou que não acredita que essas medidas irão causar um “desarranjo do ponto de vista macroeconômico”.
“O desarranjo, insisto, tem vindo do ponto de vista geopolítico, da guerra que tem causado aumento de preço do setor agro-industrial, do setor químico, do próprio setor de combustível, que é o mais diretamente afetado”, disse.
TAXA DAS BLUSINHAS
Na entrevista, Durigan também comentou a derrubada do imposto conhecido como “taxa das blusinhas” pelo governo no dia 12 deste mês.
A chamada “taxa das blusinhas” entrou em vigor em 2024 por meio de lei que estabeleceu a taxação em 20% (em impostos federais) para compras internacionais de até US$ 50 (R$ 250 em valores de hoje) em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress.
Ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “nunca deixou de dizer que se incomodava” com a taxa e que a decisão de derrubá-la ocorreu após uma análise dos números, que mostraram uma diminuição na entrada de pacotes de baixo valor no país.
Durigan acrescentou que o Ministério da Fazenda irá acompanhar os números e que o imposto pode voltar a ser implementado no futuro.
“A medida é regulatória e, portanto, foi zerada nesse momento, havendo permissão para que o Ministério da Fazenda acompanhe a evolução. Caso haja algum desarranjo, é preciso avaliar e trazer isso à debate público e, eventualmente, trazer de volta essa taxa”, afirmou.