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Economia

Governo propõe mecanismo para reduzir impostos sobre combustíveis

Medida usa receitas extras de petróleo para mitigar impactos da guerra no Oriente Médio, sem afetar contas públicas

Redação Jornal de Brasília

24/04/2026 18h18

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Foto: Washington Costa/MF

O governo federal protocolou na Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira (23/4), o Projeto de Lei Complementar 114/2026, que cria um mecanismo para reduzir tributos sobre combustíveis utilizando receitas extraordinárias provenientes do petróleo. A proposta foi apresentada pela liderança do governo e visa amortecer o impacto da guerra no Oriente Médio sobre a economia brasileira, protegendo o poder de compra da população.

Em coletiva de imprensa em Brasília, os ministros da Fazenda, Dario Durigan; do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti; e da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, detalharam a iniciativa. Segundo Durigan, o Brasil, como grande produtor e exportador de petróleo, pode converter o aumento na cotação internacional em reduções proporcionais de impostos federais, como PIS, Cofins e Cide, incidentes sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel. “Não se trata de flexibilizar regras fiscais, mas de utilizar o ganho de capital do Estado para proteger diretamente o poder de compra da população, especialmente dos mais vulneráveis”, afirmou o ministro.

Moretti destacou que a medida permite a manutenção da neutralidade fiscal, com as desonerações aplicadas por períodos renováveis de dois meses, ajustáveis à volatilidade dos preços internacionais. Ele mencionou que, a cada redução de R$ 0,10 nos tributos sobre a gasolina por dois meses, o impacto estimado é de R$ 800 milhões, compensado pelo aumento de receitas como royalties e vendas do pré-sal. O ministro reforçou que o presidente Lula tem orientado a adoção de todas as medidas necessárias para que a sociedade não sinta os efeitos da guerra, posicionando o Brasil entre mais de 40 países que implementaram ações semelhantes.

Guimarães enfatizou a importância do diálogo com o Congresso Nacional para a aprovação da proposta, que será discutida na próxima terça-feira com líderes da Câmara. O presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já demonstraram apoio à iniciativa, apresentada em regime de urgência pelo líder do PT, Paulo Pimenta.

A proposta complementa ações recentes do governo, como a desoneração de PIS e Cofins sobre diesel e biodiesel, e subsídios que chegam a R$ 1,52 por litro para diesel importado e R$ 1,12 para o nacional. Atualmente, os tributos federais representam cerca de R$ 0,68 do preço médio de R$ 6,77 por litro da gasolina, enquanto diesel e biodiesel já têm esses impostos zerados. A duração do regime está vinculada ao conflito no Oriente Médio, com revisões após cada período de dois meses para reavaliar a tributação sem comprometer as metas fiscais.

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