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Geada pode afetar inflação no curto prazo, diz Campos Neto

Campos Neto disse que as discussões sobre meio ambiente e sustentabilidade têm ligação com a política monetária

Por FolhaPress 18/05/2022 2h30

Nathalia Garcia

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (18) que a autoridade monetária avalia o impacto que a geada prevista no Brasil pode ter sobre os preços dos alimentos e na inflação de curto prazo.

Em evento no Rio, Campos Neto disse que as discussões sobre meio ambiente e sustentabilidade têm ligação com a política monetária e a estabilidade financeira e destacou que choques climáticos geram efeitos negativos de longo prazo na produtividade e no crescimento econômico.

“Estava fazendo uma reunião de inflação e estávamos falando da geada que vem por aí e qual é o impacto que isso pode ter em alimentos e na inflação de curto prazo”, disse Campos Neto, em referência a uma conversa com Fernanda Guardado, diretora de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do BC.

“A gente tem visto que esses diversos choques climáticos recentes têm impactos negativos, ondas de calor, geadas, secas, no longo prazo esses choques tendem a ter efeito mais duradouro, afetando a produtividade e o crescimento econômico”, afirmou.

No painel de abertura do congresso Mercado Global de Carbono, promovido pelo Banco do Brasil e pela Petrobras, Campos Neto também criticou a possível criação de um imposto de carbono e disse ainda que muitos governos estão tomando medidas isoladas, com pouca coordenação e lógica de mercado. “Escuto muito falar em um imposto de carbono, em alguns casos parece justificável, mas a gente acredita que o preço de mercado é o melhor alocador de recursos na economia”, afirmou.

Segundo Campos Neto, o BC pretende criar um grupo para elaborar regras para o desenvolvimento do mercado de carbono no Brasil. “O que a gente tem em termos de próximos capítulos é estudar uma taxonomia para o Brasil, a gente quer fazer um grupo para começar a pensar quais serão as regras que nós vamos desenhar para que o mercado de carbono se desenvolva”, projetou.

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Governo deve publicar regulamentação de mercado de crédito de carbono Na abertura do evento, o ministro Joaquim Leite (Meio Ambiente) afirmou que o governo deve publicar ainda nesta quarta um decreto para regulamentar o mercado de crédito de carbono no Brasil. “[O decreto] trará elementos inovadores e modernos, tais como o conceito de crédito de metano, a possibilidade de registro da pegada de carbono de processos e atividades”, afirmou.

“Essas novidades representam um importante avanço na formação de instrumentos econômicos que possibilitem a monetização de ativos ambientais e exportação para o mundo”, acrescentou.

No primeiro debate do congresso, ao lado de Leite, o ministro Paulo Guedes (Economia) disse que o Brasil era visto como problema para a economia ambiental do mundo e passou a ser reconhecido no cenário global como “potência verde, energética e alimentar”.

Segundo Guedes, o Brasil participa da construção de um plano em conjunto com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que inclui a remuneração a países que preservam recursos naturais.

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Esse seria o terceiro pilar de um projeto que também envolve também tributar poluição e recompensar inovações tecnológicas.

O ministro destacou que o pagamento pelos serviços ambientais pode movimentar US$ 100 bilhões anuais, estimando que o Brasil possa assegurar, ao menos, de 15% a 20% desse montante. “Precisamos desde já remunerar a preservação de recursos naturais, isso é uma chave importante para o Brasil, virou o terceiro pilar. Agora vamos tributar a poluição, vamos premiar as inovações tecnológicas, [estamos] falando do primeiro mundo, os grandes poluidores e grandes inovadores, na visão deles, e vamos também premiar a preservação de recursos naturais”, disse.








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