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Economia

Dólar sobe e Bolsa recua com pressão do petróleo

Às 13h33, a moeda norte-americana subia 0,17%, cotada a R$ 5,194. Já a Bolsa tinha perdas de 0,54%, a 170.320 pontos

Redação Jornal de Brasília

24/06/2026 13h56

dolar e bolsa

Foto: Getty Images

FOLHAPRESS

O dólar está em alta nesta quarta-feira (24), em meio à procura por investimentos de menor risco globalmente pela perspectiva de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos.

Investidores repercutem a retomada do fluxo de navios pelo Estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o transporte de petróleo consumidos no mundo. Os preços do barril da commodity estão em forte queda, com o Brent cotado a US$ 73.

Às 13h33, a moeda norte-americana subia 0,17%, cotada a R$ 5,194. Já a Bolsa tinha perdas de 0,54%, a 170.320 pontos, pressionada pela Petrobras.

Navios voltaram a passar por Hormuz nesta quarta, no âmbito de um plano de retirada recém lançado pela OMI (Organização Marítima Internacional, agência de navegação ligada à ONU).

Um porta-voz da OMI se recusou a forneceu detalhes sobre as embarcações que cruzaram o estreito, mas pelo menos dois navios de granéis sólidos e um navio de carga atravessaram a via marítima nas últimas 12 horas, segundo dados de rastreamento de navios da LSEG.

Ao menos outros 35 navios comerciais, principalmente de granéis sólidos, cargueiros e porta-contêineres, estavam se preparando para atravessar o estreito. O esquema, cuja elaboração levou meses, permitirá que centenas de navios com cerca de 11 mil marítimos retidos no Golfo atravessem o Estreito.

A retomada do fluxo segue a esteira da primeira rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã na Suíça, na segunda-feira (22). Ambos os países assinaram um memorando de entendimento para colocar fim na guerra no Oriente Médio, que começou no final de fevereiro.

Nesta quarta, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã informou aos EUA que não estava cobrando pedágio dos navios que transitam por Hormuz.

“O Irã informou aos EUA que, apesar das notícias falsas e provocadoras que afirmam o contrário, ‘NÃO HÁ PEDÁGIOS, NÃO HÁ CUSTOS DE SEGURO E NENHUMA OUTRA COBRANÇA DE QUALQUER TIPO SENDO EXIGIDA OU RECEBIDA PELO IRà DE NAVIOS QUE PASSAM PELO ESTREITO DE HORMUZ’”, escreveu Trump em uma postagem nas redes sociais.

A gradual normalização do fluxo pelo estreito faz com que os riscos associados ao choque energético —principal motor para aversão ao risco nos últimos meses— aos poucos se amenizem. Em resposta, os preços do petróleo estavam em forte queda nesta sessão. O barril do Brent, referência internacional, perdia 4%, cotado a US$ 73. Já o WTI (West Intermediate Texas), referência dos EUA, perdia 4,5%, a US$ 69,9.

A Petrobras, por consequência, amarga perdas de mais de 2%, pressionando o Ibovespa para baixo.
Com o alívio nas tensões no Oriente Médio, investidores agora analisam as expectativas para as taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos.

Na véspera, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central tentou explicar ao mercado o racional por trás do corte da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, apesar da piora nas expectativas para a inflação.

A decisão, na semana passada, gerou ruído no mercado. Ainda que o corte fosse esperado, especialistas interpretaram a justificativa do Copom como sinal de maior tolerância com inflação acima da meta.

A ata, para essa parcela do mercado, não dissipou todas as dúvidas sobre a trajetória da Selic e ainda impõe um cenário de cautela.

“O documento reforçou a desancoragem adicional das expectativas de inflação, especialmente para horizontes mais longos, reconheceu balanço de riscos com assimetria para cima e não deu sinal claro para a reunião de agosto”, diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

“A leitura inicial foi de comunicação ainda confusa, mas a ausência de compromisso com novos cortes reduziu parte da pressão sobre os juros futuros, que passaram a ceder.”

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) voltaram a cair nesta sessão, com investidores dando continuidade à eliminação de prêmios na curva a termo. O contrato para janeiro de 2028 estava em 14,49%, em baixa de 0,07 ponto percentual. Na ponta longa, o vértice de janeiro de 2025 estava em 14,37%, também em queda de 0,07 ponto.

“O recado final da ata é: o processo de calibração [da taxa de juros] será ajustado com a mudança no cenário, e o BC tende a seguir trajetórias semelhantes às expectativas Focus, questionário pré-Copom e precificação de mercado, evitando volatilidade no preço dos ativos e suavizando os agregados macroeconômicos”, afirmam os analistas Luis Felipe Vital, Cecília Mazzoni e Felipe Figueiró, da Warren Investimentos.

“Cortes adicionais dependerão da evolução do cenário e choques de juros estão descartados.”

Esse movimento ocorre em paralelo à queda dos rendimentos dos treasuries, títulos ligados ao Tesouro dos Estados Unidos. Investidores buscam pelo segundo dia seguido ativos de menor risco, como o dólar e os títulos norte-americanos. Quanto maior a procura pelos títulos, menor o rendimento.

Isso porque o mercado espera que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) eleve os juros até o final do ano. Liderada pelo novo presidente Kevin Warsh, a autoridade monetária abalou os investidores na semana passada ao sinalizar que estava inclinada a elevar as taxas para conter a ameaça inflacionária provocada pelo conflito no Oriente Médio.

Quanto maior o juro nos Estados Unidos, pior para ativos de mercados emergentes, já que a renda fixa norte-americana é considerada um investimento praticamente livre de risco e, com os Fed Funds em alta, exibe retorno atrativo.

Essa perspectiva sustenta o dólar globalmente nesta sessão, com o índice DXY, que o compara a seis moedas fortes, em alta de 0,2%, a 101,65 pontos.

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