Menu
Economia

Dólar e Bolsa recuam com investidores atentos ao acirramento da guerra no Irã

A situação levou o presidente Donald Trump a afirmar que o acordo de cessar-fogo “acabou”, o que foi seguido de uma série de bombardeios das forças militares do país ao território iraniano

Redação Jornal de Brasília

08/07/2026 13h05

Dolar

Foto: Dmytro Varavin/ Getty Images

ATUALIZADA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar está em leve queda nesta quarta-feira (8), com os investidores acompanhando o acirramento do conflito no Oriente Médio com novos ataques entre EUA e Irã, envolvendo também aliados dos norte-americanos na região.

A situação levou o presidente Donald Trump a afirmar que o acordo de cessar-fogo “acabou”, o que foi seguido de uma série de bombardeios das forças militares do país ao território iraniano. Um dia antes, navios-tanques foram atacados no golfo Pérsico.

A consequência foi a disparada do preço do petróleo, que chegou a subir 6,85% nesta manhã de quarta-feira, a US$ 79,24, maior valor desde 17 de junho.

Às 10h19, a moeda norte-americana recuava 0,14%, cotada a R$ 5,145. Já a Bolsa perdia 0,83%, a 170.584 pontos.

Em uma escalada de hostilidades, forças dos EUA atingiram alvos iranianos nesta madrugada, após ataques contra navios-tanque no Estreito de Hormuz que os norte-americanos acusam autoria de Teerã.

O Irã, em resposta, informou ter atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuwait.

Os ataques minaram ainda mais o frágil acordo de cessar-fogo e reduziram as esperanças de transformar o memorando de entendimento assinado em 17 de junho em um acordo de paz permanente para encerrar a guerra, iniciada com ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.

Questionado, antes de uma cúpula da Otan na Turquia, se o memorando de entendimento havia acabado, Trump disse: “É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles”.

“Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes”, declarou ele a repórteres em Ancara. “Para mim, é apenas perda de tempo lidar com eles.”

Embora Trump tenha, em alguns momentos, recuado de ameaças feitas contra o Irã, os preços do petróleo dispararam e Bolsas globais caíram após seus comentários mais recentes.

A retomada das hostilidades também aumentou as preocupações com a segurança em Hormuz. Dados de navegação mostram que pelo menos quatro navios-tanque de petróleo e gás retornaram em vez de tentar atravessar a via navegável.

Na véspera, os Estados Unidos ainda revogaram a licença-geral que autorizava a venda de petróleo iraniano.

O alto comando militar conjunto do Irã, Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, condenou os ataques dos EUA classificando-os como um “ato flagrante de agressão”, ameaçou com uma “resposta esmagadora” e alertou que Teerã não permitirá a interferência dos EUA na gestão do estreito.

Um importante negociador iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou os EUA de violarem o acordo de cessar-fogo. Ele citou não apenas os mais recentes ataques militares norte-americanos, mas também a renovação das sanções ao petróleo.

“A era da intimidação e da extorsão acabou”, disse Qalibaf em uma publicação no X. “Não cederemos.”

Em meio às tensões, o preço do barril de petróleo Brent voltou a subir para US$ 79 no pico da sessão até aqui; o WTI (West Texas Intermediate), para US$ 75.

As ações das petroleiras na Bolsa brasileira acompanham a commodity. Os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras avançam 2,7% e 2,5%, enquanto Prio e Petrorecôncavo sobem 2% e 2,9%, respectivamente.

O avanço das petroleiras amortece a forte queda dos demais papéis da Bolsa —Vale, por exemplo, está em queda de quase 2,5%.

“O mercado volta a demonstrar forte preocupação com a oferta global de petróleo, especialmente diante da incerteza em relação às exportações provenientes do Golfo Pérsico. Há uma probabilidade elevada de redução dos volumes escoados pela região, o que teria impacto direto sobre o equilíbrio entre oferta e demanda, principalmente na Ásia e na Europa”, diz Bruno Cordeiro, analista de mercado da Stonex.

Já os juros futuros estão em alta, refletindo a possibilidade de novas pressões inflacionárias sobre a economia brasileira que forçariam a manutenção da Selic em patamares elevados.

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,2%, em alta de 0,05 ponto percentual. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,415%, avanço de 0,04 ponto.

Nos Estados Unidos, o rendimento da treasury de dez anos —título do Tesouro americano, referência global para decisões de investimento— subia 0,04 ponto, a 4,565%.

“O que puxa o mercado para baixo é o impacto que esse cenário de guerra tem nas expectativas de inflação e de juros globais. Petróleo mais caro significa um choque de custos em toda a cadeia produtiva mundial, o que pode forçar os bancos centrais, especialmente o Federal Reserve nos EUA, a manter os juros altos por mais tempo para conter a inflação”, diz Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad.

“Diante do risco, grandes fundos e investidores institucionais adotam o movimento conhecido como ‘fuga para qualidade’. Na prática, o capital estrangeiro abandona ativos considerados mais arriscados, como é o caso do Brasil e outros países emergentes. Esse dinheiro migra em massa para portos seguros, buscando abrigo nos títulos do Tesouro norte-americano e na própria moeda dos Estados Unidos.”

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado