SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O dólar abriu em leve alta nesta quinta-feira (21) com os investidores acompanhando as negociações de paz entre EUA e Irã e a disputa presidencial no Brasil.
Às 9h14, a moeda norte-americana subia 0,17%, cotada a R$ 5,0115. Na quarta-feira (20), o dólar fechou em queda de 0,76%, cotado a R$ 5,002, enquanto a Bolsa teve alta de 1,95%, a 177.355 pontos.
O otimismo do pregão acompanhou as negociações entre EUA e Irã e queda do petróleo, que aliviaram a pressão sobre ativos de mercados emergentes.
O recuo da commodity, que voltou a ficar abaixo de US$ 110 no pregão, reduziu a cautela dos investidores e impulsionou a busca por ativos de risco ao redor do mundo, favorecendo o real e a Bolsa.
A animação também foi notada no exterior. Por volta das 17h, o barril de petróleo Brent, referência mundial, cedia 5,69%, a US$ 104,96 no contrato de julho. O barril WTI, utilizado nos EUA, recuou 5,58%, a US$ 98,37.
Também no mercado internacional, os índices de Wall Street e europeus subiram. As Bolsas S&P 500, Dow Jones e Nasdaq tiveram altas de 0,98%, 1,30% e 1,54%, respectivamente as expectativas do balanço da Nvidia, divulgado após o fechamento do mercado, impulsionaram o avanço da Nasdaq, que concentra empresas do setor de tecnologia.
Na Europa, destaque para a EuroStoxx 50 (índice de referência do continente), que avançou 2,13%, e Dax, da Alemanha, que subiu 1,38%.
As incertezas no conflito continuaram, mas sinais de avanço nas negociações reforçaram o otimismo e o apetite por risco dos investidores.
Na noite de terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a parlamentares que a guerra entre EUA e Irã “terminará muito rapidamente”. No mesmo dia, o vice-presidente do país, J.D. Vance, afirmou que muito progresso foi feito nas conversas.
“Acreditamos que fizemos muito progresso. Achamos que os iranianos querem fazer um acordo”, disse Vance a repórteres na Casa Branca.
Além disso, notícias do Irã deram sinais de uma possível normalização do fluxo do estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã disse nesta quarta que 26 navios, incluindo petroleiros, navios porta-contêineres e outras embarcações comerciais, transitaram pelo estreito nas últimas 24 horas.
O cenário ainda alimenta dúvidas. Também nesta quarta, em nota, a Guarda Revolucionária do país disse que “se a agressão contra o Irã for repetida, a guerra se estenderá para além da região”.
Na véspera, Trump afirmou que o Irã estaria “implorando” por um acordo para pôr fim ao conflito e que os Estados Unidos poderiam precisar atacar o país novamente, caso um acordo não seja firmado.
A guerra pressiona as cotações do petróleo e adiciona incertezas às cadeias globais de insumos, aumentando a preocupação com uma alta inflacionária no mundo.
Tanto no Brasil quanto no exterior, o conflito tem aparecido nas projeções de juros. Conforme persiste e eleva as cotações do petróleo, a guerra tem reforçado as apostas de juros restritivos por mais tempo.
O banco central norte-americano manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% em abril pela terceira reunião consecutiva. No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a Selic para 14,5% ao ano, mas evitou sinalizar cortes futuros.
As preocupações das autoridades do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) com o impacto do conflito se intensificaram no mês passado, segundo ata divulgada nesta quarta. A maioria deles disse que pode ser necessário algum aperto na política monetária caso a inflação continue acima da meta de 2% do banco central.
“Para abordar essa possibilidade, muitos participantes indicaram que teriam preferido remover a linguagem da declaração pós-reunião que sugeria um viés de flexibilização em relação à provável direção das futuras decisões do comitê sobre a taxa de juros”, mostrou a ata da reunião.
O cenário adverso tem pressionado a curva de juros e pesou sobre as taxas DIs, que refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic, na véspera.
Neste pregão, contudo, o movimento se reverteu com a queda do petróleo e o otimismo global. A taxa do DI para janeiro de 2035 encerrou o pregão de terça-feira a 14,356% (uma alta de 10 pontos-base).
Nesta quarta, o ativo recuou 18 pontos-base para 14.170%.
Nos EUA, o rendimento do Treasury de 10 anos fechou em 4,669% na sessão anterior maior valor desde 14 de janeiro de 2025. Nesta quarta, o valor recuou a 4,575%.
“O principal vetor de alívio foi a queda expressiva nos rendimentos das Treasuries e nos preços do petróleo, que recuaram fortemente após declarações do governo americano sinalizando que um acordo de paz com o Irã estaria em estágio final, além da normalização do tráfego marítimo no estreito de Hormuz”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Internamente, investidores seguem atentos aos desdobramentos do caso que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso.
Na última semana, o site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, com um aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro. A Folha e o próprio Flávio confirmaram as mensagens o senador negou ter recebido ou oferecido vantagens por conta disso.
A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam.
Na terça-feira, Flávio também revelou ter visitado Vorcaro depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. Em entrevista, o senador afirmou que procurou Vorcaro para colocar “um ponto final” no envolvimento entre os dois.