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Economia

Dívida Pública Federal cai 2,34% em março e retorna a R$ 8,6 trilhões

Resgates líquidos de títulos atrelados à Taxa Selic superaram emissões em R$ 302,32 bilhões, impulsionando a redução do estoque da dívida.

Redação Jornal de Brasília

27/04/2026 18h24

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Foto: José Cruz/Agência Brasil

A Dívida Pública Federal (DPF) registrou queda de 2,34% em março, passando de R$ 8,841 trilhões em fevereiro para R$ 8,633 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira (27). O movimento foi impulsionado pelo forte vencimento de títulos vinculados à Taxa Selic, com resgates que superaram as emissões em R$ 302,32 bilhões. A apropriação de juros adicionou R$ 93,01 bilhões ao estoque, atenuando a redução.

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) recuou 2,17%, de R$ 8,511 trilhões para R$ 8,302 trilhões. No período, o Tesouro emitiu R$ 93,29 bilhões em títulos, mas resgatou R$ 395,60 bilhões, principalmente papéis ligados à Selic.

Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 0,61%, de R$ 329,65 bilhões para R$ 331,64 bilhões. A alta foi influenciada pela valorização de 1,36% do dólar, provocada pelo início da guerra no Oriente Médio, além de um empréstimo de R$ 6,88 bilhões com organismos internacionais.

O colchão de liquidez da dívida pública, reserva usada em momentos de turbulência, caiu de R$ 1,192 trilhão em fevereiro para R$ 885 bilhões em março. O principal motivo foi o resgate líquido, acrescido da recompra de R$ 49 bilhões em títulos nos primeiros dias da guerra para estabilizar o mercado. Atualmente, o colchão cobre 5,69 meses de vencimentos, com R$ 1,68 trilhão previstos para os próximos 12 meses.

Na composição da DPF, houve variação devido aos vencimentos de títulos Selic: de 49,1% para 47,71%; títulos corrigidos pela inflação subiram de 25,85% para 26,67%; prefixados de 21,33% para 21,80%; e vinculados ao câmbio de 3,71% para 3,83%. O Plano Anual de Financiamento (PAF) prevê que, ao final do ano, os títulos Selic fiquem entre 46% e 50%, corrigidos pela inflação entre 23% e 27%, prefixados entre 21% e 25%, e cambiais entre 3% e 7%.

O prazo médio da DPF aumentou de 4 para 4,1 anos, indicando maior confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar compromissos.

Quanto aos detentores da Dívida Pública Federal interna, instituições financeiras detêm 31,47%, fundos de pensão 23%, fundos de investimentos 20,86%, não residentes 10,7% e demais grupos 13,97%. A participação de estrangeiros oscilou ligeiramente em relação a fevereiro (10,74%), apesar das tensões no mercado devido à guerra no Oriente Médio.

Em agosto do ano passado, a DPF superou pela primeira vez R$ 8 trilhões. De acordo com o PAF apresentado em janeiro, o estoque deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

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