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Economia

Correios registram prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025

O resultado é mais de três vezes superior ao de 2024, impulsionado por provisionamentos de obrigações judiciais e aumento de custos operacionais.

Redação Jornal de Brasília

23/04/2026 19h26

Foto: Reprodução/Agência Brasil

Os Correios registraram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, valor mais de três vezes superior ao de R$ 2,6 bilhões anotado em 2024. O balanço da estatal será publicado no Diário Oficial da União.

O resultado negativo foi influenciado principalmente pelo provisionamento de obrigações judiciais, que totalizaram R$ 6,4 bilhões no ano, representando um aumento de 55,12% em relação a 2024. Esses processos envolvem, em grande parte, demandas trabalhistas, como adicionais de periculosidade e pela atividade de distribuição e coleta externa.

Além disso, a receita bruta da empresa caiu para R$ 17,3 bilhões, uma redução de 11,35% em comparação com o ano anterior. Os custos operacionais também aumentaram, contribuindo para o rombo financeiro.

A estatal acumula 14 trimestres consecutivos de resultados negativos desde o último trimestre de 2022. Segundo o presidente Emmanoel Schmidt Rondon, que assumiu o cargo em setembro de 2024 com mandato até agosto de 2027, trata-se de um ciclo vicioso: a falta de caixa afeta pagamentos a fornecedores, prejudica as operações e limita a capacidade de expandir volumes ou conquistar novos contratos.

Rondon destacou a rigidez da estrutura de custos, ancorada em despesas fixas, o que impede compensar imediatamente quedas de receita com cortes de gastos.

O cenário é agravado por mudanças estruturais no setor, como a expansão da logística por empresas de comércio eletrônico, que reduzem a dependência dos Correios, e a desmaterialização da correspondência tradicional devido às novas formas de comunicação.

Para enfrentar a crise, os Correios obtiveram empréstimos de R$ 12 bilhões de bancos públicos e privados. A empresa também implementou medidas de contenção, como dois planos de demissão voluntária (PDV): um com 3.756 adesões em 2024/2025 e outro com 3.181 em 2025. A meta inicial era de 10 mil desligamentos, e novos PDVs podem ser abertos. Além disso, renegociou dívidas com fornecedores, estendeu prazos de pagamento, reduziu gastos com imóveis, manutenção de agências e operações de recebimento, distribuição e entrega.

O presidente rejeita a privatização, defendida por alguns economistas, afirmando que o tema não está em pauta e que a decisão cabe ao governo federal. Ele aposta em um plano de recuperação para alcançar resultados positivos a partir de 2027, permitindo captar mais recursos e manter a empresa viável e íntegra.

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