Isa Stacciarini
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A conta de água da população do Distrito Federal vai ficar mais cara a partir de março e pode pesar no bolso do consumidor. O possível aumento de 7,53% proposto pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento (Adasa) ficará acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2012. Caso as projeções de alta de 5,8% para a inflação oficial se confirmem, o brasiliense bancará um reajuste 1,73 ponto percentual acima do IPCA do ano passado.
O percentual do aumento da conta de água corresponde a 6,17% do Reajuste Tarifário Anual de 2013, além de 1,36% referente à primeira Revisão Tarifária Periódica retroativa a março de 2008 e concluída em 2012, ano em que a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) enviou à Adasa o documento da análise da economia da empresa.
A projeção inflacionária do índice oficial foi calculada pelo professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), Nilton Marques. Segundo o especialista, a inflação do ano passado pode ficar entre 5,8% e, no máximo, 6%. “Considerando o IPCA, o aumento da conta de luz supera a inflação anual, o que pode ocasionar em um prejuízo no orçamento do consumidor”, aponta.
No entanto, os contratos de tarifa de água e luz são regulados pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O economista destaca uma projeção de 7,3 a 7,5% nos últimos 12 meses do índice. “Se levarmos em conta o IGP-DI, pode-se observar que o aumento da conta de luz não ultrapassa inflação do índice, mas em contrapartida supera o percentual inflacionário do IPCA, que é o oficial”, afirma.
Consumo elevado
Morador de uma casa no Guará II, Manoel Freitas de Sousa, 81 anos, afirma que o aumento na conta vai pesar bastante no orçamento da residência onde moram dez pessoas, entre a esposa, filhos e netos. O aposentado ressalta que o consumo de água na residência é elevado. “A conta aumentando, as coisas tendem a se tornar mais difíceis, uma vez que chego a gastar R$ 260 com despesas de água”, revela.
Na casa de Manoel, apesar da água ser utilizada para limpar o quintal, o consumo maior é na hora de lavar roupa. Para ele, ter de pagar um valor maior pelo bem natural representa um descaso. “É um absurdo, pois o serviço que recebemos ainda não é totalmente eficiente”, aponta.
No próximo dia 21, a Adasa realizará uma audiência pública para apresentar a proposta do reajuste tarifário dos serviços de água e esgoto prestados pela Caesb. O evento está marcado para o auditório da Agência, na ala norte da Estação Rodoferroviária. A discussão terá início às 14h30. De acordo com a Caesb, ainda é cedo para falar do reajuste. Segundo a companhia, uma informação oficial só será prestada após a audiência pública.
Síndico prevê queixas em condomínio
Nos prédios residenciais onde não há individualização de hidrômetros, a tendência é que o aumento da conta de água seja ainda mais expressivo no orçamento. É o caso de um condomínio com 15 blocos administrado por Adbon dos Santos, 67 anos.O síndico ressalta que o reajuste não será absorvido com facilidade pelos moradores, uma vez que as despesas com água e vigilância são as maiores do condomínio.
“No último mês, a conta de água de 48 apartamentos apresentou um valor acima R$ 8 mil. Devido ao hidrômetro ser coletivo, há moradores que não têm consciência na utilização”, aponta.
Abdon ressalta que a individualização do hidrômetro não foi bem aceita pelos moradores, que preferiram pelo pagamento coletivo. Segundo o síndico, a partir do momento que não há como controlar o uso de água por cada morador, a conta acaba ultrapassando o razoável. “Acredito que se fosse para individualizar o hidrômetro, o custo com a conta seria 70% menor, pois pesaria no bolso individual de cada um”, destaca.
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