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O bilionário Larry Ellison, 81, fundador da Oracle, construiu uma relação reservada com Donald Trump e usou doações políticas para ganhar espaço em decisões que favoreceram seus negócios e o império de mídia da família, segundo o jornal americano The Wall Street Journal.
O QUE ACONTECEU
Ellison não precisou aparecer em eventos públicos com Trump para manter influência. De acordo com pessoas ouvidas pelo jornal, ele doou cerca de US$ 45 milhões a uma organização política sem obrigação de transparência que apoiou a campanha de Trump em 2024, além de ter colocado mais milhões em grupos pró-Trump depois da eleição.
Parte desse dinheiro foi direcionada a iniciativas de legado do presidente em Washington, e a Oracle aparece como patrocinadora de um grupo alinhado a Trump. A empresa está listada entre os apoiadores da Freedom 250, que organiza celebrações pelos 250 anos de Independência dos EUA.
A Oracle vende infraestrutura na nuvem e soluções de bancos de dados. A big tech, que atua na comercialização de soluções corporativas, tem como clientes diversos bancos brasileiros e dos EUA, como Citi e Bank of America. Ellison, fundador da companhia, é um dos homens mais ricos do mundo.
PROXIMIDADE TROUXE VANTAGENS À EMPRESA DE ELLISON
O governo dos EUA colocou a Oracle no centro de um grande projeto de infraestrutura de inteligência artificial. Um dia após a segunda posse de Trump, em 20 de janeiro de 2025, Ellison esteve na Ala Oeste quando a Oracle foi escolhida como base de nuvem do plano de US$ 500 bilhões para construir data centers de IA no país, batizado de Stargate.
Mais tarde, em 2025, a Oracle entrou em um grupo de investidores que assumiu o controle das operações do TikTok nos EUA. O acordo foi intermediado pelo governo americano e concluído no início deste ano.
FAMÍLIA AVANÇOU NO RAMO DE MÍDIA
Enquanto Larry Ellison fortalecia a Oracle, David Ellison buscava montar um conglomerado de mídia com ajuda de decisões regulatórias em Washington. Dono da Skydance, David teve a fusão aprovada com a Paramount no ano passado.
O sinal verde veio após a companhia resolver um litígio de Trump contra a rede CBS (propriedade da Paramount), pagando ao presidente US$ 16 milhões. No processo, o presidente dos EUA alegava que a emissora editou de forma enganosa uma entrevista com Kamala Harris, em 2024, durante a campanha presidencial. À época, a emissora argumentou que a acusação era infundada.
O jornal descreve uma relação de troca entre a família e Trump, com afinidades políticas e críticas a parte da imprensa tradicional. David Ellison comprou o site Free Press em 2025 e colocou a cofundadora Bari Weiss no comando da CBS News, com mudanças de equipe e programação. Alguns jornalistas da emissora foram demitidos após alegarem interferência política em programas da rede.
Neste ano, a Paramount Skydance comprou a Warner Bros. Discovery por US$ 81 bilhões. O jornal americano cita que o Departamento de Justiça liberou a operação neste mês. Com a aquisição, o grupo de mídia passa a controlar a CNN.
NEUTRALIDADE CONTESTADA E O DESTINO DA CNN
O WSJ afirma que, em um momento da disputa pela Warner, Larry Ellison chegou a dizer a Trump que a compra poderia permitir uma reformulação da CNN. A emissora é uma das redes de TV dos EUA mais críticas a Trump, e, segundo o jornal, ambos viam o canal como inclinado ao noticiário liberal e contrário ao governo.
A Casa Branca negou interferência direta no processo de compra da Warner. “O presidente Trump sempre sustentou que foi neutro em relação a todas as partes durante o processo de disputa pela Warner Bros.
Discovery”, afirmou o porta-voz Kush Desai. Além disso, o representante do governo diz que o presidente dos EUA está “comprometido em trabalhar com todas as empresas e líderes empresariais americanos”.
A Paramount também afirmou que não assumiu compromissos com autoridades sobre o futuro da CNN. “Nenhum compromisso de David ou Larry Ellison foi feito a qualquer órgão do governo, procurador-geral estadual ou agência federal sobre o futuro da CNN ou de qualquer outra propriedade de notícias, além do objetivo de entregar um jornalismo baseado em fatos”, disse um porta-voz da empresa ao jornal americano.
Como dono de big tech usou proximidade com Trump para expandir negócios
Fundador da Oracle usou doações para se aproximar de Trump, enquanto empresa e família ampliaram presença em setores estratégicos
Foto: Toru Yamanaka / AFP/Getty Images