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Economia

Britânico sofre com a inflação, que pode ir a 13% no ano, diz Theresa May

O Brexit foi o grande motivador da saída de May da chefia do Reino Unido. Ela renunciou ao cargo em maio de 2019

FolhaPress

04/08/2022 18h25

Foto: Divulgação

Giuliana Saringer
São Paulo, SP

A ex-primeira ministra do Reino Unidos Theresa May disse em um evento em São Paulo nesta quinta-feira (4) que a inflação no Reino Unido deve chegar a 13% no final do ano, reflexo do momento que o país atravessa devido à pandemia. Ela afirmou ainda que o Banco Central decidiu aumentar a taxa de juros para controlar a escalada de preços, e que isso é um problema global. A participação de May foi remota, com transmissão ao vivo no palco principal.

“Nós prevemos que a inflação vai chegar a 13% [ao final do ano]. O Banco Central aumentou a taxa de juros em 0,5 ponto percentual, como uma medida para tentar controlar a inflação. Não é algo que se sente não só no Reino Unido, mas no mundo inteiro”, afirma May durante um painel no Expert XP.

Em junho, a inflação no Reino Unido chegou a 9,4%, o maior patamar dos últimos 40 anos, puxada pelos preços de alimentos e combustíveis. As cadeias de produção de diversos produtos no mundo foram afetadas na pandemia e, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, têm influenciado nos preços da energia e das commodities.

“Sem dúvidas são tempos difíceis daqui para frente. A vida está muito difícil para muitos no Reino Unido hoje, porque o preço dos alimentos e da energia aumentaram. O governo não pode dizer que as coisas vão melhorar amanhã, mas precisamos fazer algumas coisas para melhorar no longo prazo”, diz.

May disse que a política energética é um assunto importante para Europa e que a guerra só deixou o assunto mais em evidência do que antes. “A situação energética já estava ficando difícil em relação aos custos e preços antes da guerra. Hoje a energia está ficando ainda mais cara e isso traz dificuldades reais para as pessoas”, fala.

May lamentou não poder estar presente fisicamente no evento e disse que adoraria visitar o Brasil.

Ao ser perguntada sobre que conselho daria ao próximo presidente do Brasil sobre a Amazônia, May disse que os parlamentares do Reino Unido evitam dar conselhos para políticos de outros lugares do mundo.

No entanto, disse que a Amazônia é uma preocupação mundial e que todos querem que a floresta seja preservada.

“Quem estiver no poder no Brasil depois das eleições tem que honrar o compromisso de preservar a floresta e implementar o necessário para que isso possa ser cumprido”, afirma May.

O Brexit foi o grande motivador da saída de May da chefia do Reino Unido. Ela renunciou ao cargo em maio de 2019, depois de não conseguir aprovar o Brexit por três vezes no parlamento britânico.

May sofria pressões do próprio partido para deixar o posto. Para ela, ainda não dá para avaliar completamente o impacto da medida, já que a pandemia mudou as dinâmicas do mundo e trouxe reflexos inesperados para a economia do país.

“É difícil entender o impacto do Brexit até o momento. Nós tivemos a pandemia, que trouxe grandes mudanças na nossa economia. Só agora que nós estamos começando a ver o impacto real do Brexit na nossa economia”, afirma May.

May disse que ser mulher trouxe pressões extras ao cargo de primeira ministra, situações que um homem na mesma posição não precisaria enfrentar. May foi a segunda primeira-ministra do Reino Unido, antecedida por Margaret Tatcher – ambas do partido conservador.

“Todo mundo sente pressões diferentes quando assume o cargo de primeiro-ministro, mas tem algumas coisas que líderes mulheres precisam enfrentam, como a questão de que roupa vestimos. Ninguém fala sobre o terno do homem, enquanto uma mulher está sujeita a essa pressão adicional de pensar no que vestir e em como as pessoas vão interpretar o que você veste”, afirma May.
May ficou no cargo de 2016 a 2019, quando renunciou por pressões envolvendo o Brexit – separação do Reino Unido da União Europeia.

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