FOLHAPRESS
A Bolsa de Valores sobe mais de 2% nesta quarta-feira (20), conforme negociações entre EUA e Irã e queda do petróleo aliviam a pressão sobre ativos de mercados emergentes.
O recuo da commodity, que volta ao patamar abaixo de US$ 110 no pregão, reduz a cautela de investidores e impulsiona a busca por ativos de risco ao redor do mundo, favorecendo o real e a Bolsa.
Por volta das 14h15, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, subia 2,10%, a 177.949 pontos, revertendo a forte queda de 1,52% na véspera (19). Na máxima, chegou a 178.089 pontos (alta de 2,19%).
No mesmo horário, a moeda norte-americana caía 0,71%, cotada a R$ 5,005, em linha com o exterior. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,20%.
O comportamento doméstico acompanha o exterior. No começo da tarde, o barril de petróleo Brent, referência mundial, cedia 6,12%, a US$ 104,45 no contrato de julho.
Também no exterior, os índices de Wall Street e europeus subiam. Os destaques são EuroStoxx 50 (índice de referência da União Europeia), que avança 2,13%, e Nasdaq, com alta de 1,23%, à espera do lançamento do balanço da Nvidia que será divulgado após o fechamento do mercado.
As incertezas no conflito continuam, mas sinais de avanço nas negociações reforçam o otimismo dos investidores.
Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a parlamentares na Casa Branca que a guerra entre EUA e Irã “terminará muito rapidamente”. No mesmo dia, o vice-presidente do país, J.D. Vance, afirmou que muito progresso foi feito nas conversas.
“Acreditamos que fizemos muito progresso. Achamos que os iranianos querem fazer um acordo”, disse Vance a repórteres na Casa Branca.
O conflito no Oriente Médio tem causado o bloqueio do fluxo no estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás.
A guerra pressiona as cotações da commodity e adiciona incertezas às cadeias globais de insumos, aumentando a preocupação com uma alta inflacionária no mundo.
O cenário ainda alimenta dúvidas. Nesta quarta, em nota, a Guarda Revolucionária do país disse que “se a agressão contra o Irã for repetida, a guerra se estenderá para além da região”.
Na véspera, Trump afirmou que o Irã estaria “implorando” por um acordo para pôr fim ao conflito e que os Estados Unidos poderiam precisar atacar o país novamente, caso um acordo não seja firmado.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou que o Irã está desenhando um protocolo para permitir a passagem de embarcações pelo estreito de Hormuz, mas navios dos Estados Unidos, de Israel e de países que apoiaram a guerra não poderão trafegar pela via marítima.
Tanto no Brasil quanto no exterior, o conflito tem aparecido nos juros futuros. Conforme persiste e eleva as cotações do petróleo, a guerra tem reforçado as apostas de juros restritivos por mais tempo o que pressiona a curva de juros.
O cenário adverso pesou sobre as taxas DIs, que refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic, na véspera. Neste pregão, contudo, o movimento tem se revertido com a queda do pétróleo e o otimismo global.
A taxa do DI para janeiro de 2035 encerrou o pregão de terça-feira a 14,356% (uma alta de 10 pontos-base). Nesta quarta, o ativo recua 8 pontos-base para 14.275%.
Nos EUA, o rendimento do Treasury de 10 anos atingiu máxima de 16 meses de 4,687% na sessão anterior, mas recua para 4,651% nesta quarta.
“O alívio nos rendimentos globais contribui para uma acomodação na curva de juros doméstica, enquanto o câmbio segue sensível ao comportamento do dólar no exterior”, afirma a casa de investimentos Ágora em relatório.
Internamente, investidores seguem atentos aos desdobramentos do caso que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso.
Na última semana, o site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, com um aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro. A Folha de S.Paulo e o próprio Flávio confirmaram as mensagens o senador negou ter recebido ou oferecido vantagens por conta disso.
A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam.
Na terça-feira, Flávio também revelou ter vistado Vorcaro depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. Em entrevista, o senador afirmou que procurou Vorcaro para colocar “um ponto final” no envolvimento entre os dois.