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Economia

Bolsa sobe mais de 2% com negociações no Oriente Médio e alívio no petróleo; dólar recua

Por volta das 14h15, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, subia 2,10%, a 177.949 pontos, revertendo a forte queda de 1,52% na véspera (19)

Redação Jornal de Brasília

20/05/2026 16h03

b3 bolsa de valores (1)

Foto: B3/Divulgação

FOLHAPRESS

A Bolsa de Valores sobe mais de 2% nesta quarta-feira (20), conforme negociações entre EUA e Irã e queda do petróleo aliviam a pressão sobre ativos de mercados emergentes.

O recuo da commodity, que volta ao patamar abaixo de US$ 110 no pregão, reduz a cautela de investidores e impulsiona a busca por ativos de risco ao redor do mundo, favorecendo o real e a Bolsa.

Por volta das 14h15, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, subia 2,10%, a 177.949 pontos, revertendo a forte queda de 1,52% na véspera (19). Na máxima, chegou a 178.089 pontos (alta de 2,19%).

No mesmo horário, a moeda norte-americana caía 0,71%, cotada a R$ 5,005, em linha com o exterior. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,20%.

O comportamento doméstico acompanha o exterior. No começo da tarde, o barril de petróleo Brent, referência mundial, cedia 6,12%, a US$ 104,45 no contrato de julho.

Também no exterior, os índices de Wall Street e europeus subiam. Os destaques são EuroStoxx 50 (índice de referência da União Europeia), que avança 2,13%, e Nasdaq, com alta de 1,23%, à espera do lançamento do balanço da Nvidia —que será divulgado após o fechamento do mercado.

As incertezas no conflito continuam, mas sinais de avanço nas negociações reforçam o otimismo dos investidores.

Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a parlamentares na Casa Branca que a guerra entre EUA e Irã “terminará muito rapidamente”. No mesmo dia, o vice-presidente do país, J.D. Vance, afirmou que muito progresso foi feito nas conversas.

“Acreditamos que fizemos muito progresso. Achamos que os iranianos querem fazer um acordo”, disse Vance a repórteres na Casa Branca.

O conflito no Oriente Médio tem causado o bloqueio do fluxo no estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás.

A guerra pressiona as cotações da commodity e adiciona incertezas às cadeias globais de insumos, aumentando a preocupação com uma alta inflacionária no mundo.

O cenário ainda alimenta dúvidas. Nesta quarta, em nota, a Guarda Revolucionária do país disse que “se a agressão contra o Irã for repetida, a guerra se estenderá para além da região”.

Na véspera, Trump afirmou que o Irã estaria “implorando” por um acordo para pôr fim ao conflito e que os Estados Unidos poderiam precisar atacar o país novamente, caso um acordo não seja firmado.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou que o Irã está desenhando um protocolo para permitir a passagem de embarcações pelo estreito de Hormuz, mas navios dos Estados Unidos, de Israel e de países que apoiaram a guerra não poderão trafegar pela via marítima.

Tanto no Brasil quanto no exterior, o conflito tem aparecido nos juros futuros. Conforme persiste e eleva as cotações do petróleo, a guerra tem reforçado as apostas de juros restritivos por mais tempo —o que pressiona a curva de juros.

O cenário adverso pesou sobre as taxas DIs, que refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic, na véspera. Neste pregão, contudo, o movimento tem se revertido com a queda do pétróleo e o otimismo global.

A taxa do DI para janeiro de 2035 encerrou o pregão de terça-feira a 14,356% (uma alta de 10 pontos-base). Nesta quarta, o ativo recua 8 pontos-base para 14.275%.

Nos EUA, o rendimento do Treasury de 10 anos atingiu máxima de 16 meses de 4,687% na sessão anterior, mas recua para 4,651% nesta quarta.

“O alívio nos rendimentos globais contribui para uma acomodação na curva de juros doméstica, enquanto o câmbio segue sensível ao comportamento do dólar no exterior”, afirma a casa de investimentos Ágora em relatório.

Internamente, investidores seguem atentos aos desdobramentos do caso que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso.

Na última semana, o site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, com um aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro. A Folha de S.Paulo e o próprio Flávio confirmaram as mensagens —o senador negou ter recebido ou oferecido vantagens por conta disso.

A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos —onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam.

Na terça-feira, Flávio também revelou ter vistado Vorcaro depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. Em entrevista, o senador afirmou que procurou Vorcaro para colocar “um ponto final” no envolvimento entre os dois.

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