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Bolsa inicia semana sob pressão da alta dos juros nos EUA

A autoridade monetária deverá anunciar os passos seguintes das suas ações contra a inflação nos Estados Unidos

Por FolhaPress 24/01/2022 12h23
Foto: Paul Whitaker / Reuters

Clayton Castelani

Investidores iniciaram a semana liquidando ações na Bolsa de Valores brasileira, cujo principal índice, o Ibovespa, recuava 1,10%, a 107.773 pontos, às 11h31 desta segunda-feira (24). O dólar subia 0,48%, a R$ 5,48. Após duas semanas com altas na contramão do exterior, a correção do mercado doméstico é esperada por analistas.

Notícias indigestas para os negócios globais são esperadas para os próximos dias. A principal delas pode ser o pronunciamento do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) nesta quarta-feira (26). A autoridade monetária deverá anunciar os passos seguintes das suas ações contra a inflação nos Estados Unidos. O temor de altas agressivas nos juros vem derrubando os principais índices de Wall Street desde o final do ano passado.

A mobilização militar da Rússia nas proximidades da fronteira da Ucrânia também preocupa investidores. A Otan (aliança militar ocidental) anunciou o reforço das defesas do Leste Europeu contra o que considera ameaça iminente de invasão.

Analistas avaliam que possibilidade crise envolvendo a Rússia, um dos maiores produtores do petróleo, pode elevar o preço do petróleo no mercado internacional. Isso eleva o risco de inflação e, consequentemente, de alta nos juros. A crise pode, porém, beneficiar ações de exportadores brasileiros da commodity.

O barril do Brent, referência mundial, recuava 1,01%, a US$ 87 (R$ 474,33). Mas a cotação do petróleo segue no patamar mais alto desde o segundo semestre de 2014.

A maior pressão negativa para a abertura do Ibovespa nesta semana, porém, vinha da queda dos contratos do minério de ferro, contrariando o movimento de altas que vinham impulsionando o mercado doméstico. A Vale liderava exercia a maior pressão negativa sobre a Bolsa nesta segunda.

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No cenário político, o presidente Jair Bolsonaro (PL) manteve no Orçamento de 2022 uma reserva de R$ 1,7 bi para reajustar salários de servidores. Bolsonaro havia prometido dar o aumento a policiais federais, categoria que pertence à base eleitoral do presidente. Essa promessa vem gerando mobilizações de diversos setores do funcionalismo.

Aumentos dos gastos públicos podem pressionar Bolsa e câmbio devido à percepção de investidores sobre o crescimento do risco fiscal, ou seja, de que o país terá dificuldade para cumprir seu Orçamento.

Na semana passada, a Bolsa brasileira alcançou a sua segunda alta semanal. Ações locais, cujos preços estavam bastante descontados, foram beneficiadas por investidores estrangeiros em busca de oportunidades em meio às seguidas baixas em Wall Street, onde dois dos três principais índices tiveram a pior semana desde o início da pandemia.

O mês de janeiro vem apresentando recorde de investimentos estrangeiros, com cerca de R$ 15 bilhões aportados. Analistas avaliam que houve um movimento rebalanceamento de portfólio no exterior. Investidores buscam se reposicionar nos mercados globais diante das expectativas de que as principais bolsas dos Estados Unidos e da Europa passarão longe de repetir os ganhos registrados em 2021.

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Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Group, alertou que as duas altas semanais seguidas do Ibovespa não podem ser vistas como tendência. Ele acredita que o ganha será de curto prazo. Liquidações de papéis que tiveram forte crescimento nos últimos dias são, portanto, esperadas.








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