A Alemanha pediu nesta quarta-feira (18) aos membros da eurozona mais endividados que coloquem suas contas em ordem, após reconhecer que a maior economia europeia desacelerará notavelmente seu crescimento este ano devido ao impacto da crise na eurozona.
O Relatório Econômico Anual apresentado em Berlim pelo ministro da Economia, Philipp Rösler, prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) avançará apenas 0,7% este ano, enquanto a taxa de desemprego continua descendo, até seu mínimo em 20 anos.
Rösler considerou positivos estes dados por causa da “difícil situação” na qual se encontra a eurozona, e assinalou que as medidas de economia e as reformas estruturais devem ser implementadas de forma “rápida” e “consequente” para que a Europa volte a crescer.
“A Alemanha depende do conjunto da eurozona”, disse após reconhecer que seu país, a segunda nação que mais vende no exterior, fatura nos 17 países que compartilham o euro 40% de suas exportações.
O crescimento alemão se sustentará principalmente na demanda interna – graças a um aumento de 3% da renda das famílias – e as exportações aumentarão “só de forma moderada”, segundo o documento.
O ministro descartou a possibilidade de que a Alemanha entre em recessão técnica após uma queda durante dois trimestres consecutivos, já que confia em crescer 0,1% nos três primeiros meses de 2012 após o retrocesso do último trimestre do ano passado.
Além disso, ele afirma que o PIB avançará 1,6% em 2013, enquanto o desemprego continua caindo suavemente. Rösler disse que é necessário realizar “reformas estruturais” e enfatizou a importância de conseguir um mercado de trabalho “mais flexível”.
Sobre isso, o ministro defendeu que a Alemanha é um exemplo em nível europeu e mundial, e previu que este ano a taxa de desemprego cairá até 6,8% no país, desde os 7,1% com que fechou no ano passado.
Além disso, a taxa de ocupação alcançará um novo máximo, segundo as previsões governamentais, ao aumentar em 220 mil pessoas, até os 41,3 milhões de empregados.
Já a inflação será moderada com relação ao ano passado e se situará em 1,8%, após 2,3% do ano anterior. Sem fornecer números concretos, o relatório dá por certo que neste ano o déficit não superará 3% do PIB.
Suas previsões, que o próprio Rösler classificou como “cautelosas”, são ligeiramente melhores que as de outros analistas, que situaram o crescimento alemão para este ano em 0,6% e advertiram sobre o risco de uma recessão técnica no início do ano.
O Banco Mundial previu na quarta-feira que o PIB da eurozona crescerá apenas 0,3% este ano, longe do 1,4% da média dos países industrializados, dos 2,5% da economia global e a uma distância inalcançável dos emergentes, que devem registrar 5,4%.