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Economia

Ações da Raízen despencam até 21% após empresa detalhar plano de recuperação extrajudicial

Na mínima do dia, chegaram a cair 21,43%, a R$ 0,33

Redação Jornal de Brasília

28/05/2026 18h59

raizen

Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS

As ações da Raízen despencam nesta quinta-feira (28), após a empresa divulgar detalhes do plano de recuperação extrajudicial apresentado aos credores nas negociações para reestruturação da dívida.

Por volta das 14h45, os papéis da joint venture entre Cosan e Shell recuavam 16,66%, cotados a R$ 0,35.

Na mínima do dia, chegaram a cair 21,43%, a R$ 0,33.

A reação negativa do mercado ocorre após o plano prever a conversão de 45% da dívida da companhia em ações precificadas a R$ 0,25 por papel –valor cerca de 40% inferior ao fechamento desta quarta-feira (27).

Procurada, a Raízen não quis comentar.

“Isso representa um valor bem abaixo do preço de mercado e implica uma diluição muito pesada para os atuais acionistas”, afirma Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos.

Para Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, o mercado já esperava algum nível de conversão da dívida em ações, mas o valor surpreendeu.

“A expectativa era de que o preço respeitasse algo mais próximo do valor de mercado -talvez até um pouco acima- especialmente para quem permaneceu posicionado no papel da Raízen”, afirma.

A proposta prevê a separação das operações da companhia em duas empresas distintas: Raízen Combustíveis, focada na distribuição e comercialização de combustíveis sob a marca Shell no Brasil, e Raízen Energia, direcionada ao processamento de cana de açúcar para produção de etanol e geração de energia elétrica.

Para Júlio Moretti, CEO da Neot, startup de inteligência focada em recuperação judicial e falências, a proposta de dividir o negócio em dois gera estranheza. “Isso pode soar ao mercado como uma ‘separação à vista’ entre Cosan e Shell, o que fragilizaria bastante a perspectiva de recuperação da empresa”.

O plano de recuperação extrajudicial apresentou três opções para renegociação de dívida aos credores da da empresa. O montante devido totaliza R$ 75,35 bilhões. Desse total, R$ 65,4 bilhões estão incluídos no processo de reestruturação.

A primeira opção de renegociação inclui a conversão de 45% da dívida reestruturada em ações a R$ 0,25 por papel, com os credores recebendo ações ordinárias e preferenciais. Os 55% restantes seriam divididos em novas dívidas de Raízen Combustíveis e Raízen Energia, com prazos entre 2032 e 2035.

Na segunda alternativa, o credor aceitaria um desconto de 80% do valor da dívida. O pagamento dos 20% restantes ocorreria em uma única parcela em 31 de março de 2047.

Já na terceira opção, o credor receberia em dinheiro o equivalente ao menor valor entre 75% do crédito devido e R$ 9.750. O pagamento em espécie estará limitado a R$ 150 milhões no total, o equivalente a cerca de R$ 200 milhões em créditos elegíveis.

“O principal ponto para acompanhar agora é se a proposta realmente vai avançar. Existem duas peças sensíveis nesse processo: o aporte de Rubens Ometto, que ainda está em aberto, e a injeção de recursos da Shell”, diz Trotta.

Segundo o plano, a Shell se comprometeria a aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta Investimentos, holding ligada a Rubens Ometto (fundador da Cosan), poderá adicionar mais R$ 500 milhões.

Credores, contudo, solicitam que Rubens Ometto, fundador da controladora, seja substituído como presidente do conselho da Raízen, ecoando uma proposta anterior dos detentores de títulos.

Do ponto de vista de governança, a atual administração seria mantida, mas os credores passariam a exercer supervisão sobre a companhia, com poder de veto limitado a temas considerados relevantes.

Caso a renegociação seja aprovada, também haverá mudança significativa na composição do conselho de administração. O novo colegiado teria sete membros, dos quais quatro seriam indicados pelos credores -incluindo o presidente do colegiado- e três pelos atuais acionistas.

Para valer, o plano precisa ser aprovado por metade mais um dos credores sujeitos à recuperação extrajudicial. “Os termos apresentados estão sujeitos a alterações materiais no curso das negociações, à obtenção das aprovações necessárias e à execução de documentos definitivos por todas as partes envolvidas”, afirma a Raízen no documento.

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