As criptomoedas não são mais apenas uma novidade para investidores ou entusiastas da tecnologia. Nos últimos anos, o uso de criptoativos como forma de pagamento tem sido adotado em muitos setores diferentes, marcando uma grande mudança nas práticas comerciais tradicionais. No Brasil, essa preferência pelas moedas digitais está liderando os rankings da América Latina. A movimentação de criptomoedas atingiu aproximadamente R$ 731 bilhões entre julho de 2021 e junho de 2022, o que coloca o país como o sétimo maior mercado de criptomoedas do mundo.
Criptomoedas no comércio eletrônico e além
A incorporação de criptomoedas como método de pagamento está sendo feita em muitas áreas, mas no setor de e-commerce é onde mais se nota a adoção. Empresas de tecnologia e varejistas online, desde gigantes do mercado até pequenos empreendedores, estão aceitando Bitcoin e outras criptomoedas para aproveitar as vantagens como baixos custos de transação. Além disso, no setor de entretenimento online, especialmente cassinos que aceitam Bitcoin, estão no topo da preferência por pagamentos em cripto (fonte: https://www.criptofacil.com/apostas/casinos-bitcoin/).
Isso mostra uma busca por maior privacidade e segurança nas transações em plataformas de jogo online, um dos setores que mais cresce no país atualmente. Com mais de 30% dos brasileiros já utilizando criptomoedas, segundo uma pesquisa da Visa, fica evidente a familiaridade com o conceito e o envolvimento ativo, seja através de investimentos ou transações comerciais com moedas digitais.
No Brasil, além da conveniência, a adoção tem sido impulsionada como uma resposta à volatilidade econômica, oferecendo aos consumidores e empresários uma alternativa mais estável em comparação com o real. De acordo com um relatório de Kaiko Research, o volume de transações com criptomoedas no Brasil cresceu 30% nos primeiros meses de 2024, alcançando 6 bilhões de dólares em moeda local. A relevância das criptomoedas na economia nacional é clara com o aumento de 110% nas importações de criptomoedas em 2024, totalizando US$ 2,9 bilhões apenas nos primeiros meses do ano.
A ascensão das stablecoins e o futuro do mercado
Quase metade de todas as operações de criptomoeda realizadas no Brasil em 2024 envolveu stablecoins, com a participação de mercado do Tether aumentando bastante. O Bitcoin, anteriormente dominante, teve sua participação nas transações diminuída de 74,1% para 35,6%, enquanto o USDT aumentou sua presença, passando a representar 46,7% do volume de transações no setor. As stablecoins oferecem a estabilidade do valor atrelado a moedas fiduciárias com a flexibilidade das criptomoedas, tornando-as atraentes para o uso diário em transações comerciais e pessoais.
Mas a integração de criptomoedas nos sistemas de pagamento também levanta questões regulatórias que necessitam de respostas claras das autoridades. No Brasil, onde o mercado de ativos digitais é um dos maiores da América Latina, a regulação é muito importante para garantir a segurança dos usuários e a integridade do mercado. Até o momento, o país tem mostrado um bom progresso com a introdução de ETFs de Bitcoin e outras iniciativas regulatórias. O país fez grandes progressos em termos regulatórios, com a implementação do marco legal das criptomoedas, que foi sancionado em dezembro de 2022.
O objetivo da legislação é garantir maior segurança aos usuários e a integridade do mercado, coibindo crimes como estelionato e lavagem de dinheiro por meio de ativos virtuais. Além disso, o Banco Central do Brasil tem avançado nas regulamentações, com uma abordagem de regulamentação infralegal que inclui a criação de regras específicas para empresas de criptoativos. O Banco está conduzindo etapas como consultas públicas para receber feedback de especialistas e do público geral antes de finalizar a regulamentação.
Isso mostra um compromisso em estabelecer um ambiente regulatório claro e benéfico para a evolução segura do uso de criptomoedas no país. As etapas regulatórias definidas incluem o desenvolvimento de uma segunda consulta pública e o aperfeiçoamento do arcabouço regulatório que abrange aspectos como a autorização e supervisão das atividades de empresas de criptomoedas, além de definições relacionadas à sua atuação no mercado de câmbio e outras atividades financeiras.