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Brasil

STJ revoga prisão de ex-professor de direito acusado de crimes sexuais no RS

O advogado foi preso no início de março, dias após ter sido denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado.

Redação Jornal de Brasília

18/06/2026 21h22

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS)

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) revogou a prisão preventiva do advogado e ex-professor da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) Conrado Paulino da Rosa, acusado de cometer crimes sexuais contra dez mulheres no Rio Grande do Sul. Ele nega a acusação.
A decisão pela soltura foi assinada nesta quarta-feira (17) pelo ministro Reynaldo da Fonseca.


O advogado foi preso no início de março, dias após ter sido denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado.


No ano passado, quando a investigação ainda estava em andamento, ele também ficou preso entre setembro e outubro.


Nesta quinta (18), em nota à imprensa, sua defesa afirmou que a prisão preventiva decretada em março pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul era desproporcional e que medidas cautelares “jamais foram descumpridas” pelo réu.


Entre as medidas cautelares, além de tornozeleira eletrônica, estavam a proibição de contato com as vítimas e restrições de circulação no período noturno.


“A decisão [do STJ] reconheceu que houve interpretação equivocada dos fatos utilizados para justificar a prisão preventiva, concluindo que a medida extrema não se mostrava juridicamente adequada diante das circunstâncias concretas do caso”, diz a nota da defesa.


A íntegra da decisão do ministro não foi disponibilizada pelo STJ, devido ao grau de sigilo.


“Embora a defesa sempre tenha respeitado a atuação das instituições e o regular andamento do processo, entende que a decisão do STJ reafirma a necessidade de observância rigorosa dos critérios legais que autorizam a restrição da liberdade de qualquer cidadão”, continua a nota.


Os casos denunciados pelo Ministério Público teriam ocorrido de 2013 a 2025. A investigação da Polícia Civil ouviu depoimentos de 18 mulheres que dizem ter sido vítimas de Conrado e 16 testemunhas antes de ser encaminhada ao Ministério Público. A denúncia envolve 12 supostos crimes.


Nos depoimentos, as mulheres relataram que Conrado criava um ambiente de confiança e proximidade que, segundo elas, era posteriormente utilizado para facilitar a prática dos abusos.


As denunciantes também descreveram episódios de relações sexuais marcadas por agressões físicas, como tapas no rosto sem consentimento, lesões e hematomas devido à força excessiva. Há ainda relatos de violência psicológica, com comentários depreciativos sobre a vida profissional e a aparência das vítimas.


Após o fim dos relacionamentos, segundo alguns depoimentos, ele teria espalhado boatos e distorcido fatos para prejudicá-las profissionalmente.


Conrado foi desligado do quadro de professores da FMP logo após as denúncias.

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